sábado, 14 de julho de 2012

O crescimento da frente de esquerda entre 2008 e 2012


Um novo bloco político se consolidou na última década, no Brasil e inclusive em São João del-Rei. Pode-se dizer que é a primeira vez que temos em campo, desde que se abateram vinte anos de perseguição da ditadura contra os comunistas, uma força política efetivamente socialista. As dificuldades conjunturais somam-se aos problemas internos para tornar difícil o caminho dos socialistas, que ainda assim crescem.


Aconteceu em São João mais ou menos o que aconteceu no país todo. Entre os militantes de esquerda brasileiros, ou seja, entre aqueles que conhecem de perto os partidos de esquerda, o descontentamento com o caminho seguido pelo PT vem da década de 90, tanto que aconteceu um primeiro racha significativo em 1993, o surgimento do PSTU, embora motivado por uma expulsão, da Convergência Socialista, que era uma das correntes mais a esquerda do PT. Mas foi depois que o PT chegou ao governo federal que esse descontentamento cresceu, e atingiu até militantes não tão envolvidos, simpatizantes e eleitores. O Partido Comunista aguentou ainda uns dois anos apoiando o governo petista, mas teve depois que declarar sua independência, e anos depois sua oposição. O próprio PT sofreu outro grande racha à esquerda, que resultou no surgimento do PSOL. Em São João del-Rei, em 1993, a expulsão da CS foi a expulsão de um dos principais fundadores do PT, Daniel Auim, que fundou o PSTU. A célula comunista local era ligada ao PCdoB até 2004, quando a submissão completa desse partido ao PT a levou a se desligar dele e caminhar para o Partido Comunista Brasileiro, PCB, que mais ou menos na mesma época, 2004, também rompia com o PT. O PSOL por sua vez nasceu em São João com o próprio processo de coletar assinaturas para sua fundação nacional.

A posição comum dessas forças, à esquerda do governo federal, para o público e mesmo para seus eleitores, naturaliza sua aliança, mas na realidade a unidade entre as forças à esquerda do governo não é fácil, porque o governo petista já está bastante à direita, fazendo com que muita coisa diferente esteja à sua esquerda. Entendemos aqui por ser “de esquerda” ser socialista, que é a compreensão geral em nossos dias. A unidade entre as forças socialistas tem sido muito difícil, tanto que em 2010 lançaram diversos candidatos diferentes à presidência da República, resultando em punição pelo próprio eleitorado socialista, que em parte votou na candidata Verde. No país todo, refletindo os resultados eleitorais negativos de 2010, os socialistas tem tentado a unidade para essas eleições de 2012. São João del-Rei é uma exceção positiva nesse cenário, pois já em 2008 conseguiu a unidade entre PSOL, PSTU e PCB, que naquele ano não aconteceu em muitas cidades, e em 2012 repetiu essa aliança, dessa vez seguida por um número maior de cidades, embora não por todas.

Pode-se dizer que, a nível nacional, a frente socialista se consolidou, ou seja, passou pelos momentos mais difíceis e continua existindo, crescendo lentamente, mas crescendo, sofrendo revezes, mas crescendo, condenada pela grande imprensa e pelos poderosos, mas crescendo. O momento não favorece o crescimento da frente. O Mercosul e a China comprando, respectivamente, produtos industrializados e matérias primas do Brasil em grande quantidade, pois ambos ultrapassaram as compras dos EUA e da Europa, deram fôlego econômico ao Brasil, e grande parte da popularidade dos governos vem da situação econômica. O PT tem tido o apoio da mídia para manter a mesma política econômica tucana. Grande parte do eleitorado de esquerda ainda não se desiludiu e mesmo entre os já acordados grande parte teima em apoiar o PT temendo o fortalecimento da oposição de direita. Para quem toma as aparências pelos fatos, a posição dos partidos da frente parece infantil, como se fossem socialistas radicais negando apoio a socialistas moderados.

Essa conjuntura desfavorável certamente elevou a tensão entre os partidos da frente, tornou mais nítidas suas divergências, levando às divisões de 2008 (que não aconteceu em São João) e 2010, o momento mais difícil pelo qual passamos. Em São João del-Rei, apesar de também constatarmos profundas diferenças entre nós, mantivemos nossa unidade, e o prêmio é o crescimento.

Em 2008, conseguimos organizar uma chapa às pressas, e só lançamos dois candidatos a vereança, sendo que o terceiro foi impugnado por problemas burocráticos. Em 2012 já entramos organizados, pois começamos a preparar a frente para as eleições desde 2011. Conseguimos lançar 9 candidatos, triplicando nossa chapa para o legislativo. Nossas propostas estão muito mais bem elaboradas, tendo sido enriquecidas por uma série de seminários. Contamos com muito mais experiência. Até recursos temos mais, embora ainda poucos. Faremos, esse ano, a maior campanha socialista que São João del-Rei já viu. 

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