segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dos DCEs à UNE a degeneração do PCdoB / UJS

Os grandes jornais capitalistas estão comemorando a desmoralização da União Nacional dos Estudantes e da UMES de São Paulo. Diversas denúncias de corrupção, de notas frias, de uso para lá de irregular do dinheiro público têm surgido na calda das denúncias que há meses atingiram o agora ex-ministro dos esportes, capa mor da UJS. Para quem foi dirigente estadual da UJS por 5 anos e membro do PCdoB por 10 anos não há surpresa nenhuma em nada disso. O que o PCdoB faz no movimento estudantil é o mesmo que o PT faz no movimento sindical, um domínio parasitário, que deixa arrebentados esses dois movimentos.   O método deles é a "democracia burguesa", ou seja, dominam e parasitam Sindicatos e DCEs (daí centrais sindicais e a UNE) por meio de eleições diretas.



Quando caiu o ministro dos esportes era previsível que as velhas e conhecidas denúncias de corrupção contra a UNE enfim viriam a tona, assim como é óbvio que no dia em que o PT já não estiver na presidência da República surgirão todas as sujeiras da CUT. Há uns 15 anos, embora já sabendo que Sindicatos e DCEs eram roubados, imaginávamos que isso era uma necessidade, que era um caminho para arrecadar fundos para construir uma forte organização revolucionária e depois fazer a revolução. De fato, quase todos os comunistas e mesmo os primeiros petistas que trilharam esse caminho não roubavam para eles próprios, mas sim para financiar eleições de outros Sindicatos, de outros DCEs, assim como congressos de centrais e de entidades estudantis. Ou seja, roubava-se para se fazer política, o que certamente pode merecer um desconto (não legal mais moral), mas dá errado do mesmo jeito.

Acontece que não se pode roubar por 20 anos e não ser ladrão! Essa militância que consiste em parasitar Sindicatos e entidades estudantis (no caso da UJS destacadamente DCEs, com os quais se sustenta o domínio da UNE) transforma jovens que pretendiam se tornar revolucionários em bandidos. Os militantes parasitas aprendem no movimento estudantil ou sindical o que agora foram pegos fazendo com dinheiro público - notas frias, formas diversas de desviar dinheiro, além de golpes eleitorais, sujeiras eleitorais etc. Não aprendem nada de como se faz uma revolução, e aliás, hoje em dia a militância do PCdoB já nem sequer estuda Marx e Lênin (os petistas nunca estudaram mesmo), pois chegou-se a um ponto em que os estudos marxistas revelariam o que virou o PCdoB.

A forma como essas quadrilhas se sustentam no comando de Sindicatos e DCEs é a mesmo com que os bandidos se conservam no poder em todo o mundo capitalista - as eleições diretas, o poder dos ladrões ! Não há um só país no mundo que não seja prejudicado quando passa a eleger seus dirigentes máximos nesses processos enganadores e sujos. A URSS acabou quando fez eleições diretas. Se Cuba fizer eleições diretas voltará a ser um puteiro dos EUA. O que mais atrapalha a Revolução na Venezuela são as eleições diretas que, se continuarem, colocarão um fim brusco a essa revolução. Os 5 mil e tantos municípios do Brasil são quase todos governados por ladrões, e os poucos que não o são o foram nos últimos mandatos e voltarão a ser nos próximos, pois é isso que as eleições diretas produzem.

As eleições diretas não somente favorecem a eleição de bandidos, como a experiência tem provado e comprovado milhões de vezes, mas elas formam os bandidos! Participar de uma eleição direta custa caro, sobretudo para quem quiser vencer. De onde vem tanto dinheiro? Se só se arrecadar dos militantes, como fazem os comunistas e seus aliados, o dinheiro não é suficiente para vencer. Então é necessário "arrecadar" de empresários, ou seja, de pessoas interessadas em contratos públicos, portanto é necessária a corrupção, pois nenhum empresário "doa" dinheiro por amor à pátria, eles investem com esperanças de lucros. Se o candidato vence, tem que roubar para pagar os "doadores". Assim vão se forjando os ladrões ! Nos movimentos sociais o financiamento não costuma vir de empresários, vem mesmo de outros Sindicatos e DCEs, ou seja, já é roubado desde o início. Foi assim que se corromperam o PT e o PCdoB.

Não basta condenar o PCdoB. O PCdoB foi só um instrumento, um joguete, nas mãos do capitalismo. O que devemos condenar, e não só em palavras mas na prática, são as eleições diretas. Quem tem a ilusão de que pode seguir o caminho do PCdoB só pela metade, ou seja, que pode "tomar" DCEs e Sindicatos, usar seus recursos para "tomar" outros Sindicatos e DCEs, e que mesmo assim conseguirá manter a linha comunista é que ainda não entendeu nada do marxismo. A única forma sadia de participar desses movimentos, sem virar uma quadrilha, é propondo o fim das eleições diretas e, quando com forças para isso, colocando fim nelas sem vacilação.

A ilusão de que eleição direta é democracia não passa de ignorância. A ilusão de que a eleição direta tem o apoio das massas ou mesmo um forte apoio não passa de medo, de falta de experiência. A ilusão de que se está trabalhando pelo socialismo sem combater a eleição direta é idêntica à hipocrisia menchevique, que dizia pretender construir o socialismo na Rússia mas tinha medo de enfrentar o Tzar. O que sustenta o capitalismo são as eleições diretas, e não há maneira de se combater o capitalismo sem combater as eleições diretas.

2 comentários:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. O São Joao Del Pueblo está aumentando de importância para mim, uma vez que há um grupo de 5000 pessoas chamado Eleições BD onde eu posto coisas desse blog e, devido às semelhanças entre a realidade de Bom Despacho e São João, pelo menos uma vez houve uma resposta: o vereador Fernando Cabral me disse que quem é ladrão, é; não se forma, se revela. O que vc acha?

Essa é uma questão importante pq pelo menos um conhecido nosso colocou-a para mim na última eleição: que as gestões estudatis que participávamos nos anos 90 roubavam.

Abs do Lúcio Jr.

alex disse...

Pois é camarada, e como o país todo sabe, já por uns 30 anos, a atuação da "esquerda" nos movimentos sindical e estudantil é predatória, na lógica de um jogo de war, em que se ganha um sindicato para acumular recursos que se usa para ganhar outro e assim por diante. As forças financeiras e pessoais dos sindicatos e de outros movimentos são assim desperdiçadas em uma infinita luta de correntes parasitas.

Tenho insistido na necessidade de se romper com essa lógica, encerrando o jogo, criando outras regras, outra democracia, em que o parasitismo seja dificultado, em que a pluralidade impeça o uso parasitário.

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