sábado, 7 de abril de 2012

Uso eleitoreiro da UFSJ pode atrapalhar relações entre a Universidade e o município


A atuação do reitor misturando a política interna da UFSJ com a política eleitoral de São João del-Rei é assustadoramente irresponsável. Tendo se ligado a uma ala petista que tem se destacado pela falta de limites na busca pelo poder, o reitor utilizou os últimos quatro anos para fazer sua auto-promoção, transformou os shows do Inverno Cultural em showmícios, reduziu a assessoria de comunicação da UFSJ a sua assessoria de comunicação pessoal, já é pré-candidato a prefeito. Longe de abrir mão dos recursos da UFSJ para sua campanha, o reitor está movendo mundos e fundos, públicos, para tentar reeleger sua vice-reitora como reitora. No caso de duas vitórias da situação, ou seja, do reitor na UFSJ e do Nivaldo na prefeitura as relações não poderão estar nada boas. Afinal, o prefeito não vai ajudar a reitoria que disputou seu posto. A redução da Universidade a um partido político é um erro, é corrupção e deve ser evitada.



Aproveitando-se do conformismo da população em relação a práticas imorais, o reitor é o único pré-candidato que tem tido showmícios, por anos seguidos. Claro que dentro da lei, pois ele nem era pré-candidato no último Inverno Cultural, mas abriu um precedente que burla a lei. Assim como ele, outros pré-candidatos podem no futuro criar associações culturais, realizar shows meses antes de lançadas as pré-candidaturas, e na prática ressuscitarem os showmícios que tanto se custou a proibir. No caso do reitor, esses showmícios têm sido feitos com dinheiro público, pois são shows do Inverno Cultural. O discurso dele, de uns 15 minutos ou mais, todos viram, alguns vaiaram, era igual o do atual prefeito, cheio de "eu" e "eu fiz".

O jornal da Universidade, além de já não publicar a coluna Opinião porque começaram a chegar artigos que não agradavam ao reitor, passou a fazer sua propaganda muito mal disfarçada, assim como a propaganda de seus candidatos. Em alguns números, sua distribuição é ampliada para atingir toda a cidade. A UFSJ pode ser uma boa escola para São João del-Rei, uma boa influência, e tem sido, mas o reitor atual está invertendo as coisas, e dando péssimos exemplos. Que parta da Universidade o exemplo corruptor de uso de bens públicos para fim particulares é muito triste.

Não satisfeito com 4 anos dessa promiscuidade, o reitor pretende manter o controle sobre a Universidade durante as eleições municipais, tanto que está tentando colocar sua vice na reitoria. Se conseguir, durante as eleições todos saberão que a UFSJ, ou ao menos sua reitoria, estará atuando como um partido, como um comitê eleitoral. Seria um tremendo desrespeito à soberania do povo de São João del-Rei, a Universidade tentar impor um prefeito que nem é são-joanense e que mantém fortes vínculos com sua cidade natal, como provam os showmícios que ele também faz, todo ano, em sua cidade, Barroso. Se isso acontecer, as relações entre a UFSJ e os cidadãos locais nunca mais serão as mesmas. Embora os estudantes achem que a população de São João del-Rei não os recebe bem, em comparação com o que acontece em Ouro Preto e em outras cidades as relações entre estudantes de fora e naturais de São João ainda são bastante pacíficas. Deve-se fazer esforços para que essas relações melhorem, mas o reitor, que devia ser o principal responsável por isso, ameaça deteriorá-las.

Se o reitor conseguir usar a UFSJ para disputar a prefeitura, daqui em diante todo prefeito verá na reitoria uma possível ameaça, e a colaboração, extremamente necessária, entre prefeitura e reitoria, vai ficar difícil. Em outras palavras, o reitor, por seu carreirismo, está prejudicando tanto a UFSJ quanto São João del-Rei.

Seria conveniente que essa candidatura fracassasse no berço, desanimando qualquer futuro reitor sem vergonha de tentar o mesmo. Uma vitória da oposição na UFSJ já acabaria com essa candidatura irresponsável, mas não se pode confiar só nisso. O próprio reitor, para não prejudicar sua candidata à reitoria, pode dizer que desistiu da candidatura a prefeito, mas não confiamos nele. É necessário amplificar as denúncias de dentro da Universidade para a cidade inteira. Existem denúncias de obras superfaturadas e de perseguições contra estudantes e professores, e é uma tarefa de quem defende a UFSJ e São João del-Rei fazer com que essas denúncias não só sejam conhecidas por toda a comunidade universitária, como por toda a cidade.

4 comentários:

quaisfisico disse...

Bom artigo, mas acho uma coisa errada. Se olharmos bem, quer dizer que por politicagem a prefeitura não vai mais colaborar com projetos que beneficiam a cidade? Foi isso mesmo que entendi? Sobre os shows em Barroso, sabe-se que quem dá uma boa grana para o Inverno Cultural é a Holcin, que está em Barroso e exige que seja feito ao menos um show e algumas aprersentações lá. Concordo que não deve ser feito do jeito que está sendo feito, mas usar isso de desculpa é complicado. E analisar a lisura de um ato, através de suposições é fanatismo, extremismo e se envolve atacar outras pessoas, desrespeito ao cidadão.

alex disse...

Vamos por partes.

Em primeiro lugar, eu não defendi que os prefeitos DEVAM fazer o que é óbvio que farão, só constatei que será assim, porque sabemos, todos nós, que será e não é só em São João. Aconteceria em qualquer cidade com o regime político que temos.

Na verdade, eu preferiria que os prefeitos (assim como os reitores) não tivessem poder para tanto.

Sobre Barroso, já escutei essa explicação, mas não acredito nela. Por que os outros patrocinadores não fazem exigências semelhantes ? Por que, coincidentemente, só na cidade do reitor ?

Em segundo, denúncia sobre um reitor não são ataques pessoais, a não ser que eu trate da vida pessoal dele, o que não é o caso.

Em terceiro, não há suposições nesse artigo, eu falo do que todos viram.

Rodrigo Augusto Ricco disse...

Acredito que uma pessoa tenha o direito de utilizar a sua trajetória profissional para se promover(falo apenas dos feitos com o própio trabalho), caso o contrário, como as pessoas saberão se aquela é a mais indicada para o cargo? É como em uma entrevista de emprego... você usa suas benfeitorias a seu favor... Também, penso que vivemos em uma democracia onde há o direito de escolha sobre qual carreira seguir, também há o direito de mudar de carreira. Não entendi bem, mas o artigo parece restringir os possíveis candidatos a prefeitura de uma cidade? Na cidade de Pouso Alegre o prefeito foi diretor de uma escola por algum tempo....então, assim podemos generalizar como no artigo, em que o atual prefeito de Pouso Alegre já vislumbrava ser prefeito quando foi diretor por mais de 10 anos? Penso que não é o caso para se generalizar este tipo de situação. Reitores bons, que tenham uma carreira de sucesso, podem descobrir sim uma veia política e se interessarem por fazer algo muito maior, além do mais, ninguém faz a mesma coisa a vida inteira...devemos ter ambições, e se forem coletivas melhor ainda. Morei em São João del-Rei, acredito que mudanças na política da cidade precisam ser URGENTEMENTE feitas, pessoas novas, instruídas e com vontade de trabalhar, deixando de lado a política unicamente do pão e do circo são bem vindas e merecem uma chance...o que não pode é ficar do jeito em que está!

alex disse...

Não é nada normal que todos os reitores de uma instituição a deixem quando terminam seus mandatos.

Não é honesto que um reitor, ou prefeito, ou seja a porcaria do cargo que for, utilize recursos públicos para auto-promoção.

E não existe essa palhaçada de "fez". Reitores, prefeitos, políticos, não fazem nada. Nada do que é feito na gestão deles é obra deles, a não ser o errado, as culpas. Aliás, acho que inaugurações e publicidade de governos deviam ser proibidos.

Política não pode ser carreira. Essa coisa de sujeitos irem pulando de um posto para outro e se eternizarem como políticos é uma das fontes da roubalheira reinante.

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