terça-feira, 5 de julho de 2011

Greve dos funcionários da UFSJ e boatos de greve dos professores

Faz muito tempo que a UFSJ não vive uma greve dos professores, talvez desde a grande greve de 2001, em nosso ponto de vista, fracassada. Da última vez que as Federais começaram a entrar em greve os estudantes se levantaram contra essa tática, que tem dado resultados muito pobres absolutamente todas as vezes em que é adotada, com exceção somente das greves feitas durante o final da Ditadura, que ganhavam amplo apoio popular porque adquiriam caráter político, uma vez que greves eram proibidas. As greves na educação são desmobilizadoras, destacadamente dos estudantes, que entram em férias fora de época.

Dessa vez, porém, entre os próprios estudantes deve haver apoio à greve, exatamente porque, queira-se ou não, essa greve tem um caráter político de reprovar a mudança de política do governo federal, que ao contrário de Lula está adotando uma política recessiva, atingindo a educação. Foram oito anos sem greve, e é só entrar um novo governo e acontece uma greve na Federal de São João del-Rei. Isso não pode ser escondido do povo nem mesmo pelo movimento despolitizado dos professores.

Os funcionários já estão em greve há algumas semanas, e a tradição nas Federais, ainda desconhecida em São João del-Rei, é que pouco depois dos funcionários, os professores entram em greve, até porque tudo começa a funcionar mal, ou não funcionar, atrapalhando as aulas, as pesquisas etc.

Para São João del-Rei mais férias da UFSJ, reduzindo o mercado em alguns milhares de consumidores, não é nada bom. Seria compensador se ao menos a greve fosse vitoriosa, o que aumentaria o consumo de algumas centenas professores e outros funcionários, mas não podemos iludir os leitores a esse respeito. As greves de professores das redes públicas têm sido, há vinte e poucos anos, completos fracassos.

Os professores têm dificuldades para aceitar que em seu caso somente abalar a popularidade do governo é eficiente. Preferem acreditar que suas paralisações são tão eficientes quanto as paralisações de operários. Acreditam que não oferecendo seu trabalho estão pressionando o governo. É por isso que não conseguem adotar uma tática realmente dolorosa para seus patrões, os governos federal, estaduais e municipais. Suas greves acabam transformadas em munição contra eles mesmos.

Se quiserem vencer um dia, os professores têm que aprender a ver o adversário (alguns parecem achar que são os alunos), que é agora o governo Dilma, e a bater nele, e a arregimentar aliados para contra ele, e bater pesado. Ninguém quer saber quanto os professores e funcionários ganham, nem de seus planos de carreira, nem de suas negociações com o governo, nem de nenhuma outra choradeira. O que interessa às pessoas é em que o governo está prejudicando a elas próprias!

Mas como os professores não têm unidade para chegar nem perto disso, eles farão uma imitação das greves operárias, e para o bem da economia de São João ao menos as férias de verão serão mais curtas...

Um comentário:

Anarchist disse...

A Adfunrei, Seção Sindical dos professores da UFSJ, respeitando o calendário de negociação das reivindicações da classe docente, firmado entre o Andes - Sindicato Nacional e o governo, está aguardando o resultado da reunião que ocorrerá no dia 02/08/11, para, então, deliberar sobre o indicativo de greve na UFSJ. Nessa reunião com a Secretaria de Recursos Humanos será tratada a pauta específica dos docentes federais.

Aproveitamos a oportunidade para esclarecer que o calendário de greve do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica), constante na página do Andes-SN, não inclui a classe docente organizada no Andes-SN.

Fonte: ANDES-SN

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