quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os efeitos de diferentes itens da reforma política para as organizações comunistas brasileiras

Ainda não sabemos quais serão os resultados da reforma política em debate no Congresso, mas existem algumas tendências, propostas pelas quais a esquerda e a direita pressionam há muitos anos. Existe também um nível tal de desmoralização das eleições, sobretudo depois do fenômeno Tiririca, que está quase obrigando à realização de uma reforma novidadeira, que dê fôlego ao sistema político.

O voto deixar de ser obrigatório está em pauta. Seria maravilhoso para todos os comunistas, que obviamente não deixarão de ir votar. É elementar que o voto obrigatório não é politizador, mas sim reforço para o voto despolitizado de várias matizes - clientelismo, deboche, bairrismo, simpatia etc. Porém, dificilmente será derrubado o voto obrigatório.

Os grandes partidos querem criar a chamada cláusula de barreira, ou seja, um limite de votos que qualquer partido teria que ultrapassar para poder de fato participar das eleições. É como pedir experiência para quem vai procurar o primeiro emprego. É na verdade uma tentativa de limitar o jogo político a uns poucos partidos. Seria uma medida que desmoralizaria o sistema político de 1988 ainda mais rápido, pois os grandes partidos, únicos que sobrariam, são exatamente os que já são mais sujos que qualquer chiqueiro, completamente desmoralizados.

Para os comunistas a extinção, mesmo que assim disfarçada, de seus partidos da participação eleitoral seria horrível por esse ponto de vista, mas benéfico na medida em que lhes daria uma bandeira pela qual sabem lutar mesmo no atual estado de infantilidade, e ainda correria do meio deles um monte de parasitas.

Outra forma, mais branda que a cláusula de barreira, para prejudicar os pequenos partidos é o fim das coligações para deputados e vereadores. Nenhum dos diversos partidos comunistas que hoje existem no Brasil fazem sequer um deputado federal sem coligações. O fim das coligações, portanto, coloca todos em crise, os que já participam do jogo eleitoral e os que têm construído seus partidos na perspectiva de participar. As organizações ditas comunistas mas que não vislumbram a participação eleitoral não merecem nem nossa atenção!

Entre os que participam das eleições, o PC do B se especializou em eleger deputados com os votos de legenda do PT, tanto que se tornou dependente, uma corrente externa, desse partido. Agora, se aprovar o fim das coligações, o PT estará, coisa corriqueira, traindo de novo o PC do B. Assisti isso pelos 10 anos que fui do PC do B, e ouvi falar de traições bem anteriores, e fazendo sete anos que deixei esse partido continuo assistindo as seguidas traições. Essa, porém, pode ser a final, posto que o fim das coligações é o PT dizer ao PC do B - ou entra no PT ou se vira !

A realidade do PCR não é diferente. O PCR pretendia seguir o mesmo caminho do PC do B, de participar das eleições coligando-se com outros partidos. Agora está diante do PCR, se for aprovado o fim das coligações, o mesmo dilema - tornar-se corrente de um PT, ou PDT ou seja lá o que for, ou se virar...

Os comunistas todos terão que decidir, se as coligações acabarem, entre abrir mão de existirem eleitoralmente com cara própria, ou aprenderem a se virarem resolvendo seus problemas como adultos. A atitude hoje é infantil, autoritária, ao invés de tentar o acordo se cria uma nova seita, com um novo dono da verdade. O tempo não é para brincar de conspiração, é para resolver todos os assuntos com debates exaustivos, para existirmos.

O voto em lista fechada, para os comunistas, é um sonho, é uma reivindicação antiga da esquerda brasileira, e foi aprovado na comissão que debateu o assunto na Câmara dos Deputados. Simplesmente as eleições seriam como já fazemos, pedindo votos para o Partido, debatendo política, e os demais não poderiam fugir desse debate.

Já a reivindicação do Vice-Presidente Michel Temer, de voto distrital, dificultaria muito a eleição de comunistas para deputados, mas facilitaria para vereadores. É a proposta ideal para a direita, pois beneficia diretamente o poder financeiro, sem precisar criar dificuldades especiais para partidos pequenos, ou seja, com mais legitimidade.

Diante da tendência perceptível pelo voto em lista, o senador Aécio Neves, chefe habilidoso da direita, está propondo um modelo misto, parte dos parlamentares eleitos em lista, parte em distritos. Não vou ficar nem um pouco admirado se for esse o resultado. Teríamos, nesse caso, que examinar os detalhes da lei.

Um comentário:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. Dos grupos que têm por aí, o único que me pareceu com posições menos esquerdistas é o PCR. Eles levantam esse espinhoso assunto da verdade sobre o período Stálin. No entanto, eles se baseiam em artigos acadêmicos e em argumentação, em evidências. Isso é bom. Creio que é preciso fazer um trabalho de traduzir esses artigos e textos através da web (têm muita coisa em russo, ainda) e buscar a verdade. Temos de acreditar na verdade, que a verdade seja revolucionária.

Agora, estou vendo que a direita mentirá sempre sobre Stálin, como agora vejo dizerem bobagens a respeito o presidente da ABL e o ministro da educação.

Abs!

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