domingo, 8 de maio de 2011

Um tempo de debates francos e ilimitados

A crise do campo socialista brasileiro é um fato indiscutível. Uso aqui socialista em oposição a liberal, pois esses são os dois campos em que se divide a esquerda em todo o mundo, um que deseja uma nova sociedade e outro que é capitalista, saibam disso seus integrantes ou não. No Brasil a esquerda que de fato é capitalista está no governo, e embora esteja pagando caro por isso, se considera vitoriosa. O preço dessa "vitória" é a perda de identidade, ou seja, é ter se passado para o lado oposto, não é nem uma vitória de Pirro, é uma rendição. Está, porém, cumprindo um papel histórico importante para nós, embora capitalista, levando esse modo de produção a um desenvolvimento que não supunhamos possível no Brasil.

Já a esquerda socialista, que resiste ao canto de sereia do capitalismo, nem tinha saído da crise em que foi precipitada pela queda da URSS, foi atingida por outra crise proveniente do governo Lula. Está esvaziada, sobretudo eleitoralmente, e ainda assim tão dividida como antes nem se pensou possível. Multiplicaram-se os Partidos Comunistas, Movimento Revolucionários etc., mas isso não é sinônimo de força, mas de total desorganização. Não há unidade de visão de mundo, nem de tática, nem de estratégia, nem de método, nem sobre o significado dos conceitos diversos, mas ainda assim, para os leigos, essas dezenas de grupelhos falam a mesma língua... lunática.

Essa pluralidade é realimentada permanentemente pelo ingresso de pessoas e células decepcionadas com o campo governista, que voltam ao campo socialista, e pelo permanente ingresso de novatos, quase sempre tendentes ao esquerdismo. Qual o único método de homogeneizar uma massa plural ? É o debate! O debate ainda tem o mérito de ser um dos únicos estimulantes para os estudos, por sua vez, único remédio para o esquerdismo.

Tenho lido em cartas de despedida de camaradas que o Partido Comunista é autoritário, que limita o debate, mas isso só é verdade na crença desses camaradas, que realmente deixaram para dar suas opiniões depois irem embora. De fato, o que percebo no Partido Comunista é uma pluralidade de idéias tão grande quanto há em toda a esquerda revolucionária brasileira, tanto em Minas quanto no país todo, tanto quando se trata dos intelectuais, quanto das diversas frentes de luta. Já assisto essa pluralidade há 4 anos, e contribuo, como todos notam, para ela. Isso devia ser motivo de propaganda, mas para alguns camaradas, que têm uma visão muito distorcida de leninismo e de stalinismo, isso é um problema.

Acreditam alguns camaradas na caricatura que os capitalistas fazem de Lênin e Stálin ! Acreditam que o marxismo pode existir sem debates francos e ilimitados. Se tivessem prestado atenção em qualquer das obras de qualquer desses revolucionários teriam notado que são todas partes de debates públicos. Se prestassem atenção na história das Revoluções dos séculos XIX e XX notariam que as estratégias adotadas sempre partiram de amplos e ilimitados debates teóricos.

No caso brasileiro, não somente é o tempo desses debates, visto que eles coincidem com as crises, como é inteligente para qualquer organização que queira se fortalecer abrir-se ao debate. Isso não significa que devemos deixar de ter uma linha, nem que tenhamos que admitir tendências, mas que reconhecemos a enormidade do país e da pluralidade do campo socialista, e que estamos dispostos a construir "conversadamente" um caminho comum.

Temos que fazer portanto o oposto do que têm feito as dezenas de grupelhos ditos comunistas mas que são autoritários como fascistas. Devemos nos comportar à moda bolchevique, com franqueza que chegue à falta de educação, mas sem expulsar as vítimas de nossas verdades. Somente com essa maturidade podemos transformar a atual insanidade coletiva em uma unidade dinâmica.

Um comentário:

Revistacidadesol disse...

Alex: aqui na cidade surge sempre uma dúvida que não sei responder: qual foi a participação do PCB na coligação do Lula entre 2002-2005?

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