sábado, 21 de maio de 2011

Os rachas do PCB são tão lunáticos como toda a esquerda independente do país

Estamos vivendo um momento de crise da esquerda dita revolucionária, estando uma parcela atrelada ao partido governista ao ponto de já não ter independência, e outra parcela perdida em devaneios lunáticos, que são normalmente utopismos e infantilidades esquerdistas. Somados esses dois campos, ainda não passam de uma minoria ultra dividida. Primeiro fruto político avançado dos governos petistas, está sendo debatida no Congresso uma reforma eleitoral que pode obrigar os comunistas a criarem juízo e criarem um só forte e independente Partido Comunista, que será obviamente o primeiro que tiver a maturidade de perceber a dimensão da reforma eleitoral.

É verdade que nos partidos ditos revolucionários e independentes do petismo ainda nem se pensa no novo quadro que está prestes a ser criado, mas a série de rachas de que o Partido Comunista está sendo cenário são igualmente lunáticos. Qual o sentido de rachar quando a necessidade é agrupar? Acontece que os tais rachas, com suas cartas bombásticas, provam que estão tão pouco conectados com a realidade quanto criticam nos outros camaradas. Estão preocupados com estratégias sindicais de gueto, com alianças entre grupelhos, com disputas por cargos, com a cara feia de um ou outro "dirigente", com as eternas intrigas, com coisinhas, e não dizem uma palavra sobre a reforma eleitoral, que influencia a vida de todos.

Concordamos, já o dissemos, com diversas críticas expressas nessas diversas cartas de despedida de valorosos camaradas, mas essas verdades não nos convencem a fugir, nem me fazem perder a visão de médio e longo prazo. É hora, camaradas, de nos preocuparmos com coisa muito mais séria que essas picuinhas dos fujões, pois a própria existência de um Partido Comunista depende, a partir da reforma eleitoral em debate no Congresso, de nossa capacidade de lidar com as diferenças que inicialmente teremos que abarcar. Esse comportamento autoritário atual, dos que ficam e dos que saem, é o oposto do que necessitamos.

6 comentários:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex e camaradas: corajosa análise e crítica, só divirjo num ponto: eu não acho que quem está no PT ou ao lado dele até hoje seja ainda revolucionário. Quem romper, a partir de agora, provavelmente irá para o centro como Marina.

O Franscisco de Oliveira usou uma imagem para descrever a classe trabalhadora brasileira que é muito real: diante de uma fábrica, de um lado estão os barracos dos trabalhadores já mandados embora e agora desempregados dessa mesma fábrica e ao lado um comício dos empregados tentando permanecer. Ambos se ignoram mutuamente.

Tenho lido a esquerda que se diz marxista e que ainda está no PT e tenho essa mesma impressão de que são lunáticos: eles falam em "organizar a vanguarda do PT e da CUT" (!) e, por exemplo, comparam (com ajuda de textos de Trotsky) o apoio a Hélio Costa com o apoio à frente popular na Espanha (mas não rompem por causa disso).

Abs!

PCB Ipatinga disse...

Alex, vc tem algum texto ou site que tem a discussão da reforma política para estudarmos?

Alex Roberto - BH MG

PS: não sou de Ipatinga, esse raio desse Google deixou meu perfil assim.

alex disse...

Com exceção de nós mais a esquerda, todos os jornais estão tratando do tema, sobretudo com as reivindicações direitistas de cláusula de barreira e voto distrital.

No São João del-Pueblo publiquei alguns pequenos textos a respeito.

AF Sturt Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AF Sturt Silva disse...

No México e no Canadá lemos notícias sobre a fusão de partidos maoístas com marxistas-leninistas e aqui estamos querendo rachar mais ainda?Já não basta os “morenistas” com suas teses "verdadeiras" para causar isto?

Antes de lançarem as críticas ao PCB, por este ser autoritário, dogmático,não ter foco e etc é necessário estudarmos e entendermos a situação em que vivemos, seja no Brasil e no mundo. Temos sim uma crise na esquerda mundial e na brasileira isto é claro.

Para mim o debate não é por que o PCB é um partido que insiste em vanguarda para a revolução ou que lança frases prontas, sem mesmo o receptor compreender isto. Não, longe disso!

Se fosse isso, como explicarmos nosso apoio a Revolução Bolivariana na Venezuela (não é socialista em primeiro momento e nem é um movimento de vanguarda) e nossa intenção de apoiar Plínio e o PSOL nas eleições de 2010 (partido socialista em algumas de suas correntes, mas reformista e também anti-leninista em alguns aspectos, como o PT)?

A questão é que precisamos de uma unidade e principalmente de militantes, mesmo, em nossos partidos e organizações que leve a sério que o capitalismo tem que ser derrubado ou que temos sim, uma alternativa a ele, realmente. Falo de unidade por que a esquerda governista, como diz o autor do texto, é liberal, então, dificilmente temos condição de contar com ela.Temos sim que criar as estruturas para a progresso do processo revolucionário.

As cartas (duas) de nossos camaradas que nos deixaram, não justificam, por mais que tentam, as suas saídas.Eles colocam problemas atuais da esquerda como se fossem só internos de um partido.E ainda insistem que este( o partido) seja o principal problema.

Claro que não podemos compactuar com o dogmatismo e com o esquerdismo, porém isto é um problema da esquerda.Mas isto não significa que temos que criar novas organizações, pois já temos muitas e o que falta é quantidade (massas) e qualidade (debates).

Assim a criatividade ainda faz a diferença como faz a crítica, a dialética e a unidade.Por isso não podemos iludir em um sentido: não tem como ignorar a democracia direta (deliberativa, por exemplo).Para o futuro da esquerda esta é um bandeira que pode fazer a diferença.No nosso caso, tem se trabalhado com as entidades de base( que não significa individualismo como poderia pesarem alguns sobre o termo, se usarmos este em semelhança com a democracia deliberativa. Mas sim o poder direto do cidadão através de suas bases de atuação de forma coletiva).
Neste sentido puxaríamos para nosso lado uma questão que nunca a esquerda, não ser em raros momentos, sobre trabalhar e se trabalhou foi a de cunho liberal-burguesa (é que quase ficcional), que é a liberdade. Devemos apoiar a manutenção da liberdade, mas não a liberal-burguesa, e sim a “individual libertária”. Essa ao lado das igualdades sociais e do processo de solidariedade.

E por ai, talvez, que devemos começar a debater a crise da esquerda.

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex e Af. O que achei mais grotesco nessa história foi a notinha dos fracionistas a favor da entidade de Israel contra o texto do "obscuro argentino" do portal do PCB. Isso sim, foi realismo fantástico. Jorge Amado, camaradas, escreveu realismo socialista.

Os fracionistas estão mais para "Marta, a que se vendeu por uma prato de lentilhas na Bíblia" do que para "Julgamento de Zinoviev"...

Abs!

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