sábado, 28 de agosto de 2010

Movimento a Hora é Essa! defende o poder das entidades de base!

É com muito orgulho e prazer que publicamos o primeiro texto produzido sobre o DCE UFSJ fora de São João del-Rei defendendo o poder das entidades de base! Toda a força para nossos camaradas de Belo Horizonte! Ótimo texto!



AUTOCRÍTICA

Em primeiro lugar, temos que fazer autocrítica: Não é correta a relação entre os partidos de esquerda e as organizações estudantis praticada nas últimas duas décadas! É uma relação parasitária, predatória, ou para usar a gíria do movimento estudantil, aparelhista, pois os partidos transformam entidades estudantis (também sindicais, etc.) em “aparelhos” seus. Aparelho era como se chamavam as sedes das organizações de esquerda durante a ditadura, portanto dizer que um partido aparelhou um DCE é dizer que o transformou em sua sede.

Em que um partido dito socialista que controla um DCE como se fosse seu se diferencia dos partidos quadrilhas que controlam a República brasileira como se ela fosse só deles? Em que se diferencia um partido de bandeira vermelha que saqueia um DCE de um partido de bandeira azul que saqueia a República? Nas promessas de que luta pelo socialismo? São somente promessas de boas intenções! No nome? Nas gírias? Na promessa de que quando controlarem a República e não DCE´s e Sindicatos serão melhores que os atuais governantes? Mas se agora mesmo usurpam estudantes e trabalhadores de suas organizações, porque lhes entregariam a República?

Equívoco da tese “crise de direção”

Existem realidades em que o movimento vive uma crise de direção, ou seja, em que o problema é que a direção oficial não consegue dirigir, estando atrasada em relação às supostas bases, logo consegue impedir o surgimento de uma direção real. Porém, o caso em debate é mais difícil de resolver. Sabemos, por acompanhar a história do movimento universitário, que diversas forças já tomaram o aparelho DCE, sempre prometendo que não renovariam o aparelhamento, e ao longo de duas décadas é possível dizer com certeza que algumas gestões o tentaram de fato. Acontece que boas intenções não bastam. O problema central do movimento estudantil não passa por uma falta de caráter, de sem-vergonhice dos diretores. Trata-se de uma crise de organização, portanto não pode ser resolvido com mera troca de pessoas.

Solução na história

Se o objetivo é colocar fim às práticas aparelhistas, é necessário garantir que o poder seja dos estudantes, e não somente dos estudantes desse ou daquele partido. Se faz necessário que existam constantemente fóruns abertos, de fácil participação, e com poder de fato. Ao invés de inventar a roda, observemos a história. A ditadura, obviamente inimiga da democracia não somente no governo da República, mas em todo canto, fez questão de colocar fim às entidades de base. Para garantir que não voltariam a existir, criaram entidades com um universo maior de estudantes, com dinheiro e grandes eleições diretas, os D.A´s e DCE´s. Claro que alguns DCE´s já existiam, como o da UFMG desde 1932, mas era um Conselho de C.A.s, e a ditadura o transformou nesse aparelho que desde então não é mais dos estudantes. Fez isso como? Substituindo o poder das entidades de base por grandes eleições diretas. Aliás, hoje a rede Globo, que apoiou a ditadura até o fim, faz questão de esquecer que essa ditadura gostava bastante de eleições diretas, tendo mantido as eleições municipais, com exceção das capitais, estaduais por quase todo o período, e parlamentares nacionais.

Eleições diretas X eleições diretas

O que propomos não acaba com as eleições diretas. Pelo contrário, pois todos os C.A´s e D.A´s têm tais eleições, que somadas possuem muito mais eleitores que as grandes eleições diretas para DCE, e têm ainda vantagens qualitativas: Nelas o dinheiro é mais fraco, a propaganda pode ser feita até artesanalmente; os partidos podem participar, mas com suas idéias, pois o dinheiro e a máquina partidária, assim como a prática eleitoreira têm seu poder limitado em pequenas eleições; nelas os eleitores conhecem os candidatos de perto, e não pela propaganda.

A máquina de formar carreiristas

O poder das entidades de base é quebrar a máquina que há décadas deforma jovens militantes. A lógica das grandes eleições diretas, como de DCE na UFMG, é de mercado. Não há debate de idéias quase nunca, e as chapas distribuem seus programas, que são quase todos iguais há muitos anos, como se estivessem vendendo alguma coisa. Enaltecem um produto dizendo dele maravilhas que não são possíveis. Camisas, adesivos, programas, panfletos, cartazes, gastam vários milhares de reais. De onde sai esse dinheiro? Se os partidos o fornecem, não o pedirão de volta? E tiram de onde, se não de uma entidade para cobrir os gastos eleitorais de outra? Ou seja, a única crise de direção que existe é dentro dos partidos de esquerda, que têm enviado há décadas os seus militantes para uma prática atrasada – os jovens militantes aprendem a “levantar” dinheiro de fontes inconfessáveis, entram no jogo eleitoral dentro de suas regras marqueteiras, incluindo golpes e fraudes, aprendem a desviar grana de uma entidade para eleições de outra, portanto têm que aprender a esconder essa corrupção com notas falsas. Pretendem nossos grandes dirigentes ditos socialistas ou até comunistas consertar toda essa prática capitalista, que por vezes dura anos, com cursos de formação teórica de alguns dias por ano!!??? Claro que cursos teóricos são fundamentais, mas será que ensinam mais que a prática?? Tais dirigentes acabam perdendo o controle de seus partidos para os carreiristas que eles mesmos criaram. Eis o retrato da degeneração da esquerda brasileira.

A posição do Movimento A Hora é Essa

A ÚNICA coisa a perder é tempo! Não é inteligente vacilar, mantendo por mais e mais tempo a corrupção, a inatividade, o aparelhamento, a incompetência, a inexistência. Já existe a história nos provando que o poder das entidades de base é superior ao poder oriundo de grandes eleições diretas. E existe também o DCE da UFSJ, que há vários anos é dirigido pelo Conselho de Entidades de Base (desde 2005), e não confirmou nenhum dos temores dos inimigos do poder das entidades de base, e sim, muito ao contrário, protagonizou muitas conquistas reais do estudantado desta Universidade.

A partir de agora, nossa política tem o objetivo de conquistar o poder das entidades de base, sobre o DCE em primeiro lugar. Ampliaremos este debate pela UFMG, e discutiremos com os defensores deste poder as melhores formas de tal conquista, seja formando uma chapa de DCE, seja propondo um congresso estatuínte. Proporemos um estatuto nesses moldes em todos os fóruns onde exista espaço para isso. Pois estamos convencidos de que o poder das entidades de base é o poder dos estudantes, e que a atual forma de controlar o DCE é o poder do dinheiro e dos profissionais da politicagem.

Movimento A Hora é Essa! UFMG

Um comentário:

Revistacidadesol disse...

Oi, Alex. Muito boa essa iniciativa. É preciso encontrar soluções para o movimento estudantil, que realmente tornou-se uma assustadora máquina de formar carreiristas.

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