segunda-feira, 19 de julho de 2010

Item 2 - Transparência Digital Completa

Conhecimento é poder! Sem saber o que é feito da coisa pública os eleitores são cegos, e assim não lhes vale de nada votar, nem mesmo depor, porque só fariam isso quando sentissem na pele os efeitos das políticas que deveriam ter sido barradas anos antes.

A transparência total se tornou possível, e quem possibilitou isso para nós foi ainda o capitalismo, com o favor de nos criar a Internet. Não é a toa que um desesperado senador estadunidense afirmou aos seus correligionários que a Internet "nunca deveria ter sido criada". Foi mais uma arma que o capitalismo criou para sua própria destruição.

Porém, embora exista a tecnologia para tanto, a vontade política capitalista é nitidamente oposta a tal transparência, e adotou a a tática de enfrentar a opinião pública criando uma pseudo-transparência - páginas com informações insuficientes e sem comprovantes, quando hoje se pode colocar as próprias notas fiscais digitalizadas, os próprios extratos bancários etc.

Acontece que tamanha transparência dificultaria muito a corrupção, que é o sangue da politicagem capitalista. A massa dos capitalistas (embora seja ainda uma ínfima minoria da população) não é politizada ao ponto de torrar fortunas por puro convencimento político a não ser que veja parte maior de sua riqueza em risco. Então as elites políticas capitalistas constroem seus apoios mais próximos dentro da lógica natural de sua classe, um pensamento de mercado! Os capitalistas investem em um negócio arriscado em troca de altas taxas de lucro.

Então, se a corrupção for reduzida, os investimentos em campanhas diminuem, e as forças políticas capitalistas se enfraquecem desde a política municipal até a nacional. Como é "a ocasião que faz o ladrão", quanto mais transparência conseguirmos com leis diversas se preciso, menor será a roubalheira.

É necessário que cada centavo público seja registrado desde sua entrada, de forma que os contribuintes possam encontrar até as suas próprias contribuições, todas, a partir da numeração dos seus comprovantes, toda a sua movimentação pelas contas públicas até seu gasto, com os comprovantes obviamente digitalizados e on line.

Não há dúvidas de que a execução dessa proposta é politicamente impossível a curto prazo, mas temos que levantá-la, pois assim denunciamos a roubalheira mais do que atacando esse ou aquele político individualmente, assim colocamos toda a direita em um embaraço, e a médio ou longo prazo a forçamos a ceder esse terreno e se virar como puder para se financiar.

Vote tudo 21

PCB, o Partido do século 21.

7 comentários:

Rio das Mortes disse...

Parte 1 - Bem, essas propostas são bem elaboradas e muito legais, menos aquela ideia de fazendas coletivas –de onde vocês tiraram isso? Mas o problema que eu quero levantar aqui é que precisamos deixar de situar a luta anticapitalista no terreno do adversário. A questão fundamental é que parece que as propostas apresentadas se assentam na concepção de que o Estado funciona como um porrete que está na mão da pessoa errada, ou seja, essa pessoa errada pretende usar o porrete contra você e contra seus amigos. Então você nota o modo como ela segura o porrete e percebe que pode tomá-lo. Tomar posse daquele porrete não significa que fará uso dele, mas que depois de tomar o porrete poderá quebrá-lo e jogar fora. Ninguém mais poderá fazer uso daquele porrete, e isso é o que importa. Mas o propósito principal do meu comentário é tentar persuadir os revolucionários a mudar os locais da luta anticapitalista, escolhendo novos campos de batalha. Veja bem, em nossa cidade temos vários bairros pobres, com pessoas que passam fome ou se alimentam mal, e temos vários terrenos baldios, com muita sujeira que causam doenças, e são locais adequados para a vida de animais peçonhentos, esconderijo de bandidos e tal. Pois bem, parece-me que os revolucionários dizem que para resolver esse problema precisamos disputar o estado, e depois... aplicar um imposto progressivo sobre esses lotes, de forma a desestimular seu abandono, além disso é necessário melhorar os serviços públicos para cuidar dos lotes públicos; devemos, então, ao mesmo tempo, impedir a cobrança de impostos sobre os alimentos, para que essas pessoas tenham acesso a alimentos mais baratos, isso claro, depois que garantimos empregos para essas pessoas, além de um bom sistema de saúde público, caso alguma coisa ainda esteja por fazer e essas pessoas fiquem doentes, devido aos lotes que ainda não houve tempo de serem limpos (porque havia questões mais importantes a serem tratadas, a burguesia, com o apoio internacional estava se armando para protegerem suas propriedades...). Mas porque nós não poderíamos, juntos com essas pessoas, pegar enxadas, pás e catar esterco e fazer uma horta comunitária nesses lotes, assim matando dois coelhos com uma cajadada só? Isso iria enfraquecer a comercialização dos alimentos, garantir alimentos mais saudáveis para essas pessoas e, também, acabar com o problema do lote sujo, ôpa, três coelhos. Por outro lado, muitas pessoas pagam aluguel ou moram nas ruas, mas há muitas casas abandonadas, porque não entramos e moramos lá? ...

Rio das Mortes disse...

Parte 2 - ... Tudo bem, estou falando apenas de pessoas pobres, e nós, os revolucionários, temos nossas casas, não precisamos ocupar casas para morar e tal. Mas veja, estamos sempre reclamando que o capital nos priva de cultura de qualidade e só vende mercadorias culturais a um alto custo, o qual muitas vezes não temos como pagar. Então, porque não ocupamos essas casas vazias e organizamos um centro de cultura coletiva, organizamos uma biblioteca em que podemos juntar os livros de todos nós, colocamos lá um computador para trocarmos arquivos e essas coisas todas que a tecnologia nos oferece, é muito mais fácil comprar (ou expropriar) um computador só, e guardar lá vários materiais que poderiam ser utilizados por todos. Até então já deve parecer óbvio que eu rejeito qualquer modelo de um mundo ideal. Uma vez que a essência de uma luta revolucionária é a reapropriação da vida pelos indivíduos que foram explorados, despossuídos e dominados, e que é no processo dessa luta que as pessoas decidem como elas devem criar suas vidas, o que neste mundo elas entendem que podem apropriar para aumentar a sua liberdade. É preferível inúmeros experimentos variando drasticamente de um lugar ao outro e se modificando com o decorrer do tempo, as quais poderiam refletir as necessidades, desejos, sonhos e aspirações de cada e todos os indivíduos. Nós realmente não temos nenhuma demanda para esta sociedade, queremos apenas a sua destruição. Ah tá, quanto ao item 2 , a política tem se tornado, mesmo, cada vez mais uma questão de decisões técnicas, cujos parâmetros são criados por sistemas tecnológicos. Mas nenhuma tecnologia em particular é neutra, cada técnica, tecnologia e ferramenta tem seu próprio direcionamento de motivos e relações. Com esta compreensão não estamos simplesmente rejeitando a tecnologia, mas precisamos aprender a enxergar as alianças e motivações ideológicas que são inerentes à tecnologia, apesar de sua "utilidade". (Obs: estou escrevendo este comentário de um computador artesanal).

alex 2121 disse...

Camarada, seu anarquismo acabou arrastando-o para as ongs, ou mais precisamente, para os falanstérios! Mas em primeiro lugar, é óbvio que nossas propostas não têm nada haver com sua metáfora do porrete. Pelo contrário, afirmamos o tempo todo que nenhuma dessas propostas tira o poder político da burguesia, embora o abale, e são propostas de reforma do Estado, algumas exigindo uma reforma constitucional, outras nem isso! É elementar que um porrete não serve de exemplo, um porrete não pode ser reformado, e por mais que seja, o que interessará ainda será quem o segura. O Estado não pode ser segurado, camarada! Sobre a ciência, não é neutra mesmo, no momento, é a nosso favor. Sem ela esse debate aqui não estaria acontecendo. Em termos marxistas, é o desenvolvimento das forças produtivas, que já inclusive está rompendo o capital, obrigando os EUA a fecharem 70 mil sites dias atrás. De volta a sua proposta, não sou contra, mas é outra coisa completamente diferente de um movimento revolucionário e político, exatamente por não debater a questão central, que é o Estado, se reduz a mero movimento social. Sempre apoiei e fiz movimentos sociais, mas sempre com a certeza de que para superar o capitalismo é necessário um movimento revolucionário, que tem outros objetivos, outras táticas, é outra coisa. Os movimentos sociais cumprem importante papel, e o bom deles é exatamente lidar com gente simples, e não com intelectuais, que são o sal mas também o purgante do mundo. Mas não idealize esses movimentos, e muito menos os transforme no remédio universal, pois isso é voltar aos falanstérios, às fazendas hippies, às comunidades cristãs primitivas, às ongs, é achar que sem enfrentar o problema central, que pelas beiradas, vamos abalar o capitalismo. Ahh, e por último, computador artesanal? Não, não mesmo! Nenhuma das peças é artesanal.

Rio das Mortes disse...

É um computador artesanal, que eu fiz em casa.

PCB Ipatinga disse...

Fala aí amigo, eu não sou o Alex Lombello não, sou outro, entra no site http://www.pcbipatinga.blogspot.com/ que temos um candidato da deputado estadual e talvez as questões que vc coloca possa ser de conhecimento mais público. O Lombello é deputado federal, se ele ganhar não vai ter condições de discutir a especifidade do seu município.

PCB Ipatinga disse...

É melhor ser integro e falar a verdade do que ficar enganando as pessoas como os outros polítiqueiros de plantão, que são a maioria, infelizmente.

Alex Roberto

Rio das Mortes disse...

Porque votamos nulo: http://riodasmortes.blogspot.com/2010/07/brasil-nao-vote-isso-apenas-os.html

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