terça-feira, 18 de maio de 2010

Um programa para os bancos públicos

Muito se engana quem acha que os comunistas querem o fim dos bancos. Pelo contrário, os comunistas acreditam que o sistema bancário é um dos mais eficientes instrumentos que devem ser usados para construir uma sociedade inteligente oposta à que vemos fracassar.

Os governos FHC e Lula multiplicaram os lucros dos bancos que atuam no Brasil, inclusive públicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Fizeram isso porque os acionistas dos bancos é que são seus verdadeiros senhores, uma vez que os grandes acionistas são acionistas de tudo, inclusive das empresas de telecomunicações, a começar pelas agências de informações que as fornecem notícias do exterior, passando pelas grandes redes e chegando até às rádios, aos jornais impressos etc. São acionistas da maioria dos parlamentares e executivos, pode-se dizer. Ou seja, são patrões. São os caras a quem se recorre na hora de levantar fundos para as campanhas. Eles doam por patriotismo, claro! Mas a pátria deles é o dinheiro, e se tiver que ser um país, fica no norte.

Contudo, o potencial de melhoria de qualidade de vida dos bancos continua crescente. Hoje, os bancos públicos somados são uma potência no Brasil, provavelmente a maior parte do mercado, certamente a melhor estrutura, grande confiabilidade. São potências!

1 - Podem reduzir suas taxas, pois estão tendo lucro, e não há utilidade pública nenhuma nesse lucro. Ao reduzirem suas taxas, os bancos públicos obrigarão os concorrentes a reduzirem também, assim beneficiando a massa do povo e diminuindo o crescimento das desigualdades.

2 - Podem aumentar os salários de seus funcionários e contratar mais, pois os tais lucros são grandes, e como já disse, inúteis, pois deles o povo, sobretudo brasileiro, não vê um centavo. Com mais funcionários ganhando mais, todas as cidades do país terão um pequeno acréscimo de consumo em seus mercados. Beneficiam-se os armazéns, as padarias, as lanchonetes, as lan houses, as lojas de tudo, gerando-se mais empregos. Ou seja, o sentimento mesquinho de inveja criado pela mídia contra os funcionários públicos é uma burrice, propagada para facilitar a privatização das estatais.

3 – Podem investir pesado em empresas do interesse do povo. Podem investir com objetivo de criar empregos e com objetivo de desenvolvimento planejado de forma a preservar a natureza e melhoras as condições de vida. São públicos, não têm que investir pensando em lucro. Não devem lucrar.

4 – Podem contribuir em muito para a transparência total do dinheiro público. Sendo públicos, suas contas devem ser públicas, e devem manter públicas as contas públicas. As leis prevêem a publicidade do dinheiro público, mas outras leis atrapalham essa publicidade, e governo após governo se beneficia de manter tudo no escuro.

Isso tudo sem atravessar a fronteira entre o capitalismo e o socialismo. Na construção do socialismo os bancos devem ter um papel ainda mais nobre, mas isso é assunto para depois.

Um comentário:

E aí, Deus? disse...

Mais um texto muito bom e bem escrito, parabéns. Estamos aguardando o texto sobre a precarização do trabalho e a ofensiva da patronal contra as organizações sindicais de São João del-Rei. Até mais.

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