sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Imprensa capitalista não tem o que dizer contra Cuba

A grande imprensa "brasileira" ataca Cuba todos os dias, sempre com acusações sem provas, e sempre a mesma acusação de ditadura. Contudo, notícias mesmo, que confirmem qualquer acusação, não existem. É por isso que agora, que um preso morreu depois de quase três meses de greve de fome, “nossa” imprensa está alvoroçada. Enfim, pensaram, um fato palpável contra Cuba.

Porém, a grande notícia, para servir aos interesses desejados, já teve que ser apresentada não só sem uma série de informações, como também de forma mentirosa. Pelo tom dos locutores, parece que Zapateiro foi fuzilado, e o que se diz literalmente é que ele morreu “nos cárceres cubanos”, quando na verdade morreu no hospital. Não se diz porque ele foi preso, que lhe podia gerar desafetos em toda a América Latina. Foi preso por envolvimento (leia-se recrutamento) com a CIA, não por crime político, que não existe em Cuba. Prisão política seria a prisão por se expressar contra o regime, ou se organizar contra ele. Trabalhar junto com a CIA não é crime político, mas de espionagem e alta traição.

Mas mesmo mentindo e sonegando informações, trabalhos do dia-a-dia de “nossa” imprensa, o caso Zapateiro acaba revelando que Cuba é um dos países mais democráticos e civilizados do mundo:

Primeiro exemplo - alguns canais se apressaram em comemorar (literalmente) que pela primeira vez desde a Revolução, há 50 anos, morre na prisão um preso “político”. Isso é propaganda contra ou a favor da Revolução?

Segundo – eram com Zapaterio 55 “presos políticos”! Que tipo de ditadura é essa? No Brasil, em 20 anos, cerca de 2.000 pessoas foram mortas, desaparecidas, torturadas etc. Na Argentina, em menos tempo, foram dez vezes esse número. Cuba seria uma ditadura feroz com míseros 55 presos políticos? Ontem, elevaram o número de 55 para 200. Devem ter notado que 55 era pouca gente demais para a ditadura que pintam.

Terceiro – não há acusação de tortura. Pelo contrário, Zapateiro estava com uma saúde de ferro para agüentar 85 dias greve de fome.

Quarto – não há acusação de assassinatos, de forma que a morte de um preso em greve de fome é a única morte que a imprensa vendida tem em mãos! A “democracia” brasileira tem um saldo anual de algumas dezenas de assassinatos políticos, de políticos mesmo, jornalistas, sindicalistas, advogados, sem-terras etc. De fato, todo país capitalista vive essa realidade, e a escamoteia como pode, e alguns, como EUA e Colômbia chegam às centenas e aos milhares de assassinatos políticos anuais. Que adversários políticos sejam somente presos, sem tortura, e não assassinados, é de fato incrível prova de democracia, tolerância e liberdade.

Enquanto isso, Honduras vive uma onda de assassinatos políticos, e a imprensa “imparcial” e “neutra” “brasileira” se esforça por afirmar que se trata de uma democracia!

2 comentários:

alex disse...

Acabo de descobrir, no Zurdo Zurdo, algo revelador. Há tempos, outros preso cubano entrou em greve de fome, e como se tratava de um contra-revolucionário de que gostavam, os imperialistas o convenceram a sair da greve de fome. Dessa vez, com Zapata (esse é o nome e não Zapateiro como escrevi), consideraram que sua morte seria mais vantajosa, porque o incentivaram a continuar em greve de fome! Incentivaram seu partidário (um dos poucos em Cuba) a morrer! Grandes amigos! Qual líder comunista enviou seus camaradas para a morte pela morte em si? Que respeito pela vida revelam os capitalistas!

CAFIL-UFSJ disse...

Parabéns pelo texto, esse blog é muito bom. (gosto de ler principalmente as postagens sobre São João - o curral eleitoral da família Neves). A discussão sobre as liberdades de expressão a os direitos humanos estabelecida pela mídia sobre Cuba nada tem haver com autonomia e respeito às pessoas, considerando a sua condição humana (filosofia), mas tem haver com as condições da classe capitalista internacional (e o estado – o comitê executivo da classe dirigente) de investir na economia, explorar o trabalho e os recursos naturais de cada país. Para a ética revolucionária, liberdade significa a garantia das condições básicas de sobrevivência, como moradia, alimentação, educação e cultura, e as liberdades civis devem ser garantidas sob a perspectiva da emancipação do trabalhador, e não pela referência da produção de lucro (de certa forma quando o capitalismo de mercado entra em um país ele garante o respeito ao cidadão, enquanto consumidor, mas essa referência traz muitos problemas - um deles é que muitas pessoas não tem acesso à condição de consumidor e outras são exploradas para garantir o consumo e o lucro). De qualquer forma, essa não deve ser a referência ética (produção de lucro), a referência ética deve ser coerente com a tradição revolucionária forjada ao longo da história, na sua luta pelo respeito às pessoas na sua condição humana, ou seja, a emancipação do trabalhador, a abolição do trabalho alienado. Mauro

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