sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

A reação de Nivaldo à crise e os limites do populismo

A folha semanal dos tucanos, Gazeta de São João del Rei, denunciou que o prefeito Nivaldo (PMDB) pode demitir até 200 funcionários, a maioria concursados, nos próximos três meses. O motivo seria a queda brusca da arrecadação de ICMS, ou seja, do imposto que incide sobre a circulação de mercadorias e serviços – seria portanto um sintoma da crise econômica mundial.

Essa reação à crise é cheia de absurdos, que revelam fragilidades da política de Nivaldo.

Essa é uma crise típica do capitalismo, embora mais aguda, e sua base econômica real é uma super-produção, embora a imprensa capitalista evite o assunto. Essa sobra de produtos, que dificulta as vendas de todo mundo, só poder ser agravada pelas demissões. Portanto, entende-se que os empresários, que só visam lucro, demitam, pois moralidade e responsabilidade pública não fazem parte dos objetivos de nenhuma empresa capitalista. Mas é óbvio que para combater a crise os governos deviam não só evitar demissões, mas contratar! Nesse momento, o discurso liberal de enxugar a máquina pública, mentiroso em qualquer época, se torna também criminoso.

Assim, devemos perguntar aos peemedebistas e nivaldistas – o que Nivaldo tem de melhor para fazer com o dinheiro que pretende economizar demitindo 200 pais e mães de família? Asfalto? Pedrinhas portuguesas? Precisamos dessas porcarias em tempos de crise? Certamente, uma preocupação é com as famosas “obras”, carro chefe do tipo de populismo aqui tratado.

Mas suponhamos que realmente fosse necessário demitir. Por que logo os concursados? Não sabemos que isso é contra a lei e vai gerar uma onda de processos contra a Prefeitura? Mas aqui esbarramos com outro limite do populismo. Quem Nivaldo vai demitir? Seus cabos eleitorais?

Observem como é absurdo o poder de um prefeito. Quando foi que Nivaldo falou de demitir durante sua campanha? Por quatro anos, ele pode fazer o que bem entender, com o cuidado de não esbarrar no Judiciário, poder que nem é eleito! Onde está o poder do povo? Onde está a dita democracia do capitalismo?

Em um momento como esse fica claro o quanto as coisas seriam diferentes caso o povo tivesse o poder de revogar todos os mandatos. Se em Outubro de todo ano acontecesse um plebiscito revogatório, Nivaldo estaria governando agora conforme no último ano de seus mandatos, e não falando de demitir 200 trabalhadores.

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