terça-feira, 23 de agosto de 2011

Reitor confessa que Universidades não têm autonomia


Eu sempre quis saber onde os escritores políticos dos séculos XIX e XX retiraram tantas confissões de adversários políticos, tantas falas ou escritos desastrados. Eis que agora podemos assistir a um desses. E notem que o reitor tinha o que falava anotado, ou seja, dadas as circunstancias políticas e seus planos, que limitam a autonomia da UFSJ, ele se viu forçado a admitir que as universidades brasileiras não têm verdadeira autonomia, e a dar exemplos! Vindos de um reitor, são ouro.

Acontece, sr. reitor, que sua verdade não lhe serve de argumento. Não se pode jogar no lixo os poderes que a Universidade tem só porque o governo quase não lhe deixou poder nenhum. E sim, óbvio, "autonomia", "soberania", significam, nesse caso, poder. É elementar que as Universidades funcionam tão melhor quanto mais mandam no próprio nariz, e óbvio que os governos, inclusive o do PT, querem mandar eles próprios nas Universidades.

Um comentário:

Insurgente disse...

Impressionante. É uma admissão e um reconhecimento que o reitor teve que fazer depois que sofreu as pressões e os questionamentos de outros setores da Universidade. É claro que o governo condiciona a autonomia da universidade à liberação de verbas, no entanto, por aqui a discussão nunca abordava esse ponto, todas as propostas que o governo enviava e exigia a adesão da universidade eram mal divulgadas e pouco discutidas, de alguma forma a administração tentava mostrar que essas obrigações eram de alguma forma interessantes e de interesse de toda a universidade... No entanto, devido às criticas e as difíceis, mas corajosas cobranças por debate, em espaços democráticos, sobre os projetos da universidade, obrigou o reitor colocar a questão central, como ele colocou aí, e a questão é: se não aderirmos a todos os projetos de intereese do governo não teremos verbas, e a universidade tem mesmo pouca autonomia e não há muito o que se fazer... Bem, acho que é fundamental um amplo debate sobre todos os projetos e escolhas da universidade, o que não era feito, ou quando feito era devido às muitas cobranças, e além do mais é imprencindível defender a autonomia da universidade, e se isso levar a perda de verbas, mesmo assim é preciso defender a autonomia da universidade, isso é fundamental, e o mais importante é que as verbas devem vir, apenas se respeitarem a autonomia da universidade. Porém essa é uma questão complicadíssima, e qual será a posição de uma chapa formada pela UFSJ Autonoma e Democrática, ou de algum candidato mais próximo aos seus posicionamentos em relação à questão, será que continuará defendendo o debate e a autonomia da universidade, mesmo com todas as implicações, principalmente relativos ao condicionamento de verbas para os projetos de interesse do governo, ou uma tal administração mudará o discurso frente à realidade prática?

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