quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A crise e os movimentos sociais em São João del Rei

A crise econômica mundial já está atingindo São João del Rei, assim como a maioria dos municípios mineiros, inicialmente por meio de centenas de demissões e uma quantidade maior ainda de férias coletivas das quais, sabemos, nem todos retornarão aos seus postos de trabalho. Ainda não temos o balanço da catástrofe, e também não seria muito útil, pois logo estaria desatualizado.

Embora a crise seja do capitalismo, somos somente nós, comunistas, que poderemos mover qualquer coisa a favor do povo trabalhador, no sentido de minimizar seu sofrimento. Não é verdade a tese do “quanto pior, melhor”, segundo a qual o capitalismo gerando miséria estaria abrindo caminho para o socialismo. Pelo contrário, o socialismo só pode ser construído por um povo trabalhador forte, ou seja, saudável, culto e organizado. A crise não fortalece nossa classe – não a deixa nem mais saudável, nem mais culta, nem mais organizada – portanto não apressa o fim do capitalismo.

Os capitalistas não podem cuidar da sorte do povo, pois uns estão muito ocupados pensando em como sobreviver à crise (e a primeira coisa que pensam é em explorar mais os trabalhadores) e outro em como ganhar com a mesma (o que também inclui explorar mais os trabalhadores).

A resistência dos trabalhadores, por sua vez, está comprometida, pois o desemprego já era grande e agora está batendo à porta. Além disso, o movimento sindical vive uma crise histórica no Brasil. Como teríamos que contar uma história que remonta à década de 1920, a análise dessa crise não cabe aqui. Mas o resultado, em São João del-Rei, é que só se pode contar com a combatividade dos sindicatos operários, mas estes estão sob um bombardeio de demissões, que os enfraquece política e financeiramente, e ainda lhes impõe um trabalho estafante – receber e cuidar dos papéis de centenas de demitidos.

Em tempos de desemprego (que no capitalismo são periódicos como as estações do ano), as greves se tornam temerárias, de forma que a luta dos trabalhadores deve se deslocar para o campo político e ideológico – nos aspectos econômicos os adversários imediatos não são mais os patrões mas os governos; deve-se denunciar a ineficiência da economia capitalista; deve-se denunciar o quanto o Estado capitalista só protege os capitalistas e pouco faz para o povo; deve-se defender o socialismo, assim como a ocupação de empresas pelos trabalhadores.

Em São João del Rei, a crise só não será maior por que é grande o número de aposentados e o peso de setores que não são atingidos diretamente pela crise, como os funcionários públicos. Além disso, a UFSJ abriu 650 novas vagas, o que significa que pelo menos 400 estudantes a mais chegarão na cidade em Fevereiro.

Contudo, se o crescimento do número de estudantes é bem vindo para a economia em geral, por outro lado, agravará ainda mais as condições dos trabalhadores pobres, pois encontrar uma casa para alugar em São João já não está fácil, e os aluguéis já estão caros. Se observarmos Ouro Preto, por exemplo, perceberemos que os aluguéis ainda podem subir muito por aqui. Ora, assim como os aluguéis, todos os preços são pressionados para cima pelo crescimento da população em 400 bocas por ano, além dos nascimentos e da volta para casa dos desempregados nas cidades grandes. Por sorte, nesse caso funciona a lógica inversa – o que é um sintoma ruim da crise para a economia, a queda dos preços, vem a aliviar um pouco a situação dos mais pobres, em São João anulando o aumento da demanda resultante do crescimento do número de estudantes.

E o movimento dos estudantes? De fato, em todo o país, existe um movimento dos estudantes colegiais, ou seja, do ensino hoje chamado médio, e outro dos universitários. Em São João del Rei o movimento dos estudantes do ensino médio está adormecido. As entidades de base, chamadas Grêmios e concebidas para existirem uma por escola, não são fortes o suficiente para sobreviverem isoladas, e a União Municipal continua, há mais de dez anos, como braço do PT local, e não cumpre nenhum de seus papéis. Aliás, não faz é nada. Reduzido a fábrica de carteirinhas há anos, hoje não é nem isso mais! A Umes de São João del Rei é uma das dezenas de milhares de provas espalhadas pelo Brasil de que os partidos ditos “de esquerda” que aparelham organizações sindicais ou estudantis são mais nocivos ao povo que os próprios partidos de direita. O aparelhamento é o maior crime histórico do PT, e é por conta dele que os comunistas têm a obrigação de combater o PT sem tréguas – Não é comunista quem não entende essa necessidade.

Já o movimento universitário da UFSJ é hoje o único do país que se pode afirmar livre da partidarização e do aparelhamento. O DCE-UFSJ é hoje dirigido pelas entidades de base dos universitários, os Centros Acadêmicos, e em 2008 deu provas de sua força, derrotando duas vezes a Reitoria. Existem, porém, problemas nos movimentos sociais que não são de organização nem de democracia, mas simplesmente de tática política. O DCE-UFSJ tem se contentado com as promessas do Reitor de construir um Bandejão, ao invés de lutar pelo Restaurante Popular. Ora, quanto egoísmo, quanta limitação política, quanto exclusivismo estudantil! O que é um Bandejão se não um Restaurante Popular só para estudantes? É isso que desejam os universitários? Um Restaurante Popular que não seja aberto ao povo pobre? Não é justo, nem inteligente! Aliás, não é nem um pouco inteligente! É o isolamento dos universitários e seu afastamento do povo.

Como protagonistas do movimento social mais organizado e forte de São João del Rei, pois hoje essa é a posição do DCE-UFSJ, os universitários precisam, nesse momento crítico para o povo trabalhador, levantar uma bandeira que unifique todos os movimentos sociais em torno de uma necessidade verdadeira do povo. Não é o momento de exclusivismos. Em 2009, a criação de 11 novos cursos sem nenhuma estrutura renderá muito trabalho ao DCE-UFSJ, mas um movimento maduro não pode se entregar ao sabor do vento e reduzir-se a responder demanda por demanda que aparece, pois isso é perder a iniciativa. Lutando pelo Restaurante Popular, que deve ser exigido da Prefeitura (aliás, foi uma promessa de campanha de Nivaldo), os universitários ainda mantêm aberta a possibilidade de levantar outras exigências perante a Reitoria, que assim estará desobrigada do Bandejão.

É claro que é obrigação dos comunistas lutar para que os movimentos sociais se fortaleçam e se movam, que adotem formas de organização e táticas eficientes e justas. Mãos à obra, Camaradas!

Um comentário:

alex disse...

O prefeito Nivaldo (PMDB) anunciou que o Restaurante Popular deve ficar pronto em uns 15 dias.

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