Mais um casarão ameaçado em S.J.del-Rei

 


Mais um belo casarão está ameaçado de demolição em São João del-Rei, para dar lugar, provavelmente, a mais um caixote. Não está na parte antiga da cidade, mas na avenida Leite de Castro, e é de meados do século XX. Por isso não é fácil protegê-lo usando as leis que protegem o patrimônio histórico. Mas o caso expõe a contrariedade de interesses entre o coletivo e o privado, entre a sociedade e os proprietários de imóveis.

Bem construído, o casarão em questão pode durar muito. Destruí-lo, do ponto de vista social, é um desperdício completo, pois até a demolição gasta mão-de-obra, equipamentos e energia, para jogar fora uma construção que custou caro. Seja o que for construído no local poderia ser construído em qualquer outro local. Assim a sociedade teria dois imóveis ao invés de um, economizando os gastos com a demolição.

Mas os problemas vão muito além. Um deles é o trânsito, que já está caótico e superlotado. A avenida Leite de Castro já tem engarrafamentos nos horários de pico. Já existe a reivindicação da população por mais sinais de trânsito, enquanto a gestão passada tentou desligar um sinal, para acelerar o trânsito. Com a construção de mais e mais edifícios, os carros vão aumentar em número, e também os pedestres, exigindo sinais de trânsito.

Outro problema é a água. Já se registra falta de água em vários pontos da cidade. No bairro Fábricas algumas construções mais altas têm problemas de abastecimento. Quando os prédios novos começarem a funcionar, de onde vai sair tanta água? Também o sistema de esgoto está sobrecarregado. São assuntos que deviam ser de fácil resolução, dado que trata-se de furar buracos e instalar canos, coisa que já se fazia antes da Idade Média. Mas nossos políticos só são competentes para se reelegerem eternamente e multiplicarem seus próprios patrimônios.

Mas pelo ponto de vista particular, mercadológico, o que esse casarão pode render de aluguéis é muito abaixo do que pode render um caixote de construção barata com vários apartamentos, talvez dezenas, em um ponto tão valorizado da cidade. É utopia esperar que os proprietários se sacrifiquem, em uma sociedade do cada um por si, movida pela miséria, eufemisticamente chamada de capitalismo. Errados não são os proprietários, é a forma como funcionam as coisas.

Para preservar um casarão desses, nessa localização, só a Prefeitura ou outro ente público, que o comprasse e o utilizasse para algum serviço público. Pois o Estado não precisa de lucros, nem os deve ter. Ou pode simplesmente vetar a demolição. Sobre a verticalização, também é só o Estado que pode contê-la, simplesmente legislando e cumprindo as leis.

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