Na última reunião da câmara de São João Del Rei o debate entre os vereadores sobre a ineficiência do município em enfrentar as enchentes anuais revelou um problema crônico da prefeitura: a falta de organização do funcionalismo público municipal ou a organização proposital para cabides de emprego.
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| Retrato atual do organograma de funções na prefeitura. |
Há vereadores que dizem faltar aparelhos do Estado para enfrentar as enchentes anuais, como diz Stefânio que defende a contratação de mais engenheiros um para cada secretaria ou a promoção da coordenadoria de defesa civil para secretaria de defesa civil, como diz o cabo Zanolla. Interessante notar que defendem mais cargos na prefeitura sem buscar planilhas de custo, apresentar organograma de cargos e divisão de tarefas das secretarias ou coordenadorias, num momento em que o prefeito alardeia a herança da bagunça no seu mandato.
A seguir pelos princípios que rondam a prefeitura, as enchentes anuais servirão apenas para justificar mais aparelhismos, indicações de cargos aos cabos eleitorais e uma estrutura de chefes sem terem a quem mandar! A seguir pelos princípios do nosso sistema, as enchentes servirão para liberação de verbas de parlamentares que não sabemos a sua destinação porque não vemos obras de vulto no município, palco para ações políticas caridosas de quem quer aparecer com assistencialismos urgentes e coisas que se repetirão no ano que vem. Por parte do poder público não há plano sério para tratar das enchentes anuais em São João Del Rei.

A principal razão desse problema é a falta de políticas de habitação e saneamento. A natureza pode contribuir, mas o nível do impacto é pior quando há falta de políticas públicas. Às vezes o poder público aceita que não há muita coisa a fazer (ainda mais em cidades impermeabilizadas que canalizaram seus rios e córregos achando que isso era sinal de modernidade), assumindo que catástrofes são inevitáveis, tornando-se um gerente de catástrofe e correndo o risco de não ser eleito ou reeleito. Chegam a colocar a culpa na culpa na meteorologia, mas se os governantes não tomarem providências, todo ano vai ser a mesma coisa: enchentes, ruas e casas alagadas, deslizamentos. E não estou me referindo a sistemas de alertas e sim de políticas públicas adequadas, saneamento, contenção de encostas, dragagem de rios, limpeza de vias, tratamento adequado do lixo...
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