Wlamir Silva
Militante do PCB
Historiador
O Pré-Sal é a nova menina dos olhos do Lulismo sob a batuta de seu
"poste", com direito a tropa na rua e promessas de benesses para o
"social.
O interesse imediato é o de abiscoitar os R$ 15 bilhões de bônus
de assinatura para melhorar o superávit primário. Ou seja, trata-se um
recurso estratégico como um ajuste das contas que se alardeia estar sob
controle e na mesma lógica de subordinação dos interesses nacionais ao
mercado dominado pelas grandes corporações.
A
insuspeita jornalista econômica Míriam Leitão questiona que as empresas
estrangeiras envolvidas poderão copiar a tecnologia brasileira de
exploração de águas profundas e "depois ir embora". Claro, para a sra.
Leitão este perigo só existiria com as estatais chinesas... Não é fofa a
confiança que os neoliberais têm nas grandes corporações
internacionais? Pois é, o governo brasileiro também tem...
A
justificativa subjacente é a urgente necessidade de investimentos. Como
a indústria brasileira patina - para alguns especialistas o Brasil se
desindustrializa - a pressa em dilapidar estas reserva petrolíferas se
inscreve na já conhecida farra de commodities que patrocina e alardeia
modestíssimas conquistas sociais e preserva a estrutura
patrimonial-oligárquica do Estado brasileiro.
O
petróleo exportado será, claro, sugado pela máquina pública ineficiente e
incapaz de planejamento estratégico. Como já ocorre com a inércia de
realização de obras de infraestrutura e, no campo dos investimentos
sociais, sobejamente demonstrado pela inócua utilização dos recursos dos
royalties por estados e municípios produtores, aliás "aliados" do
Lulismo.
Também Míriam Leitão observa que "logo depois
de Libra será feita a 12ª rodada do petróleo e gás fora do pré-sal",
pela qual serão leiloados "campos de shale gás que ficam abaixo do
Aquífero Guarani". Segundo a jornalista, certamente não uma ecologista
shiita, "há um enorme risco de contaminação".
Mas não
há motivo para preocupações, pois Magda Chambriard, diretora-geral da
ANP "disse que haverá um mês de consulta pública para se debater esses
riscos". E, como conhecemos a dinâmica e criteriosa política nacional,
confiamos plenamente na eficácia deste mês de consultas e debates, não é
mesmo?
O Brasil se põe a dilapidar a toque de caixa um
patrimônio energético não renovável que se escoará no mercado de
commodities, recursos nacionais que deveriam ser gastos com parcimônia e
cuidados ambientais pari passu ao nosso desenvolvimento
industrial. Entregará recursos estratégicos e tecnologia duramente
produzida a potências estrangeiras (não se esqueçam de que o leilão de
Libras se dá após denúncia de espionagem internacional).
Como
numa metáfora do modelo lulista, a incapacidade estratégica e a
promiscuidade com formas políticas antidemocráticas e arcaicas é
temperada com promessas de migalhas para a educação e a saúde. Como se
não houvesse recursos para isso fora da entrega do petróleo. Como se os
recursos naturais em constante dilapidação estivessem proporcionando
isso. Como se esta não fossem também tarefas estratégicas e não objeto
de arroubos eleitoreiros.
http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2013/10/19/a-partilha-de-libra-512512.asp

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