Nas últimas
semanas, enquanto a direita defende a limitação da liberdade de expressão,
parte da esquerda ousa abandonar os jornalistas assassinados, nossos camaradas
de esquerda, e defender a mesma volta ao passado desejada pela direita, sob o
pretexto esfarrapado de defenderem os povos muçulmanos do imperialismo. Além de
abandonarem a liberdade de expressão, abandonaram as críticas pertinazes de
Lênin contra o terrorismo, e abandonaram a esquerda do mundo islâmico. A tese desses capitulacionistas cai por terra quando
se constata que o império não está precisando de mais propaganda nenhuma para
continuar suas agressões contra os árabes.
PAPA MARQUETEIRO DEFENDE A VIOLÊNCIA E A CENSURA... A INQUISIÇÃO À ESPREITA...
Wlamir Silva
Professor
Historiador

O Papa "boa gente" Francisco I diz, ao seu estilo "informal", que "insultar a religião dos outros" resulta em uma "normal" reação violenta. No seu estilo marqueteiro, no contexto evidente dos atentados terroristas e dos assassinatos dos humoristas do Charlie, o papinha justifica o fato e defende, coerente, "limites para a liberdade de expressão"...
Francisco I foi escolhido, dentre tantas opções no mundo eclesiástico, para tentar reverter a perda de espaço da Igreja católica. Uma ação de reconstrução de imagem, bem ao gosto da política atual... Para isso faz gestos simbólicos para todo lado, jogando com a ideia de que luta contra "tradicionalistas", e há quem veja nisso uma grande "revolução"...
Era muito pesada a imagem do Nosferatu alemão Ratzinger. Dando uma no cravo e outra na ferradura, Francisco vai mudando para não mudar, inclusive engabelando com um jogo de palavras dúbio, no qual clama para que os católicos sejam "revolucionários", quando se trata de chamá-los a defender uma conservadora vida austera... Na "hora da onça beber água", vem à tona o velho éthos inquisitorial...
Foi a razão e o livre pensamento que, a duras penas, fez recuar o reacionarismo católico, e de outras religiões. O revival religioso e sua promiscuidade com estados e movimentos de cunho político é certeza de retrocesso quanto à liberdade humana. A violência, claro, é sempre presente e, por vezes, apenas espera que a igreja em questão se fortaleça para pôr suas garras de fora...
Aliás, o papinha esteve agora nas Filipinas... E não disse nada sobre os terríveis rituais de autoflagelação e de violência realizado pelos católicos filipinos, com crucificações, espancamentos realizados por crianças (vide foto) e muito sangue. Não, a Igreja não toca em sua "reserva" de fanatismo e reacionarismo, é preciso que ela esteja lá, a postos...

Crucificação católica com pregos de verdade nas Filipinas. O Papa tolera...
http://noticias.uol.com.br/album/110420_filipinas_album.jhtm
Ou seja, o papinha não gasta saliva para conter a violência no âmbito de sua religião, no que teria autoridade, assim como não confronta o reacionarismo que se mantém firme no "rebanho". De fato manda recados para os mais crus de que alguns acenos são necessários para que não se perca o fundamental. E que se espere um novo, e velho, tempo no qual se possa reafirmar o poder de Deus na terra.

Crianças surram "Cristo" nas Filipinas. Normal para o Papa...
http://noticias.uol.com.br/album/110420_filipinas_album.jhtm
Anda no ritmo da Igreja quanto à punição de pedófilos (permitirá a ação da justiça?), e no reconhecimento, cheio de meias-palavras, da humanidade de homossexuais... O texto "avançado" que foi retirado de um documento do Vaticano (uma "derrota" do Papa?) falava de homossexuais como pessoas com "talentos e qualidades a oferecer à comunidade cristã”, ou seja, exatamente o argumento que a sociedade conservadora acolheu há décadas para "aceitar" homossexuais em certos nichos sociais... (1). Isso num contexto em que isso vem abalando a popularidade da Igreja... No ritmo de quem perdoou Galileu três séculos depois. Mas se anima a, num perigoso tom coloquial, justificar a velha violência inquisitorial e cruzadista contra os ímpios...
Ao papinha marqueteiro agride mais a "zombaria" que a violência em nome da religião. Claro, bonachão e "boa gente", faz isso numa linguagem de comadres em porta de Igreja... Mas, conhecemos o contexto... Quem já não conheceu um católico bonachão, de voz mansa e "cheio de amor para dar" que, na hora certa, não faltou com seu apoio ao mais reacionário, à mais violenta ditadura? Pois é, ponham um desses "santinhos" numa escola de propaganda e marketing e terá um Papa Francisco...
1) http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/38251/em+derrota+para+papa+francisco+bispos+apagam+de+texto+final+mensagem+de+abertura+a+gays.shtml
Professor
Historiador

O Papa "boa gente" Francisco I diz, ao seu estilo "informal", que "insultar a religião dos outros" resulta em uma "normal" reação violenta. No seu estilo marqueteiro, no contexto evidente dos atentados terroristas e dos assassinatos dos humoristas do Charlie, o papinha justifica o fato e defende, coerente, "limites para a liberdade de expressão"...
Francisco I foi escolhido, dentre tantas opções no mundo eclesiástico, para tentar reverter a perda de espaço da Igreja católica. Uma ação de reconstrução de imagem, bem ao gosto da política atual... Para isso faz gestos simbólicos para todo lado, jogando com a ideia de que luta contra "tradicionalistas", e há quem veja nisso uma grande "revolução"...
Era muito pesada a imagem do Nosferatu alemão Ratzinger. Dando uma no cravo e outra na ferradura, Francisco vai mudando para não mudar, inclusive engabelando com um jogo de palavras dúbio, no qual clama para que os católicos sejam "revolucionários", quando se trata de chamá-los a defender uma conservadora vida austera... Na "hora da onça beber água", vem à tona o velho éthos inquisitorial...
Foi a razão e o livre pensamento que, a duras penas, fez recuar o reacionarismo católico, e de outras religiões. O revival religioso e sua promiscuidade com estados e movimentos de cunho político é certeza de retrocesso quanto à liberdade humana. A violência, claro, é sempre presente e, por vezes, apenas espera que a igreja em questão se fortaleça para pôr suas garras de fora...
Aliás, o papinha esteve agora nas Filipinas... E não disse nada sobre os terríveis rituais de autoflagelação e de violência realizado pelos católicos filipinos, com crucificações, espancamentos realizados por crianças (vide foto) e muito sangue. Não, a Igreja não toca em sua "reserva" de fanatismo e reacionarismo, é preciso que ela esteja lá, a postos...

Crucificação católica com pregos de verdade nas Filipinas. O Papa tolera...
http://noticias.uol.com.br/album/110420_filipinas_album.jhtm
Ou seja, o papinha não gasta saliva para conter a violência no âmbito de sua religião, no que teria autoridade, assim como não confronta o reacionarismo que se mantém firme no "rebanho". De fato manda recados para os mais crus de que alguns acenos são necessários para que não se perca o fundamental. E que se espere um novo, e velho, tempo no qual se possa reafirmar o poder de Deus na terra.

Crianças surram "Cristo" nas Filipinas. Normal para o Papa...
http://noticias.uol.com.br/album/110420_filipinas_album.jhtm
Anda no ritmo da Igreja quanto à punição de pedófilos (permitirá a ação da justiça?), e no reconhecimento, cheio de meias-palavras, da humanidade de homossexuais... O texto "avançado" que foi retirado de um documento do Vaticano (uma "derrota" do Papa?) falava de homossexuais como pessoas com "talentos e qualidades a oferecer à comunidade cristã”, ou seja, exatamente o argumento que a sociedade conservadora acolheu há décadas para "aceitar" homossexuais em certos nichos sociais... (1). Isso num contexto em que isso vem abalando a popularidade da Igreja... No ritmo de quem perdoou Galileu três séculos depois. Mas se anima a, num perigoso tom coloquial, justificar a velha violência inquisitorial e cruzadista contra os ímpios...
Ao papinha marqueteiro agride mais a "zombaria" que a violência em nome da religião. Claro, bonachão e "boa gente", faz isso numa linguagem de comadres em porta de Igreja... Mas, conhecemos o contexto... Quem já não conheceu um católico bonachão, de voz mansa e "cheio de amor para dar" que, na hora certa, não faltou com seu apoio ao mais reacionário, à mais violenta ditadura? Pois é, ponham um desses "santinhos" numa escola de propaganda e marketing e terá um Papa Francisco...
1) http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/38251/em+derrota+para+papa+francisco+bispos+apagam+de+texto+final+mensagem+de+abertura+a+gays.shtml
SOU CHARLIE E FUI RAFINHA BASTOS... E MONTEIRO LOBATO... E PORTINARI..., ATÉ "O SEXO E AS NEGA"...: A LIBERDADE DE EXPRESSÃO LÁ E CÁ...
Wlamir Silva
Professor
Historiador
Há quem se anime a discutir se a questão que envolve o "Charlie" é acerca da liberdade de expressão, e do humor, ou do terrorismo. Não vejo contradição. Sou a favor da primeira e contra o segundo. O terrorismo contra a livre expressão é o paroxismo do obscurantismo. O humorista Rafinha Bastos questiona a atenção ao Charlie e a indiferença à censura e a violência, em bem menor escala, contra ele. Um texto bem escrito e coerente, reparem os que estigmatizam os "primatas" do stand-up [1]. Na ocasião participei do debate, ainda engatinhando nas redes sociais - acho que não havia FACEBOOK, ou eu não estava nele, ou não sabia usá-lo direito -, em comentários a artigos sobre o assunto, como o que reproduzo abaixo, de outubro de 2011:
Há quem se anime a discutir se a questão que envolve o "Charlie" é acerca da liberdade de expressão, e do humor, ou do terrorismo. Não vejo contradição. Sou a favor da primeira e contra o segundo. O terrorismo contra a livre expressão é o paroxismo do obscurantismo. O humorista Rafinha Bastos questiona a atenção ao Charlie e a indiferença à censura e a violência, em bem menor escala, contra ele. Um texto bem escrito e coerente, reparem os que estigmatizam os "primatas" do stand-up [1]. Na ocasião participei do debate, ainda engatinhando nas redes sociais - acho que não havia FACEBOOK, ou eu não estava nele, ou não sabia usá-lo direito -, em comentários a artigos sobre o assunto, como o que reproduzo abaixo, de outubro de 2011:
"Wlamir Silva - 12/10/2011
Não sou espectador do CQC e só vi a piada de Rafinha Bastos
após a polêmica. Foi uma resposta rápida que apenas retirada da fluidez do
contexto pode ter a repercussão que teve. De mau gosto? Sim. E daí, mau gosto é
crime? Elogio à pedofilia ou ao estupro só na imaginação puritana de alguns
sisudos patrulheiros da linguagem.
A piada foi feita com referência explícita a uma pessoa,
abrindo espaço para uma ação legal. Que o façam os interessados. Já a restrição
ao profissional por pressão financeira de anunciantes é censura à liberdade, e
assim deve ser tratada. De fato parece que a referida pressão não está sendo
tão eficaz, ainda bem.
Já piadas sobre estupros de feias, e poupem-me do ridículo
risco de estímulo ao estupro por piadas..., têm o mesmo sentido das que se
fazem com gays, gordos, baixos, altos, magros, portugueses, fanhos, mancos etc.
Ou seja, da essência mesma do humor, que não existe sem estereótipos. Nesse
campo mais amplo, o 'politicamente correto' é a morte do humor e da liberdade
de expressão.
Não. O politicamente incorreto não é um 'valor em si', se é
que isso existe entre o céu e a terra, e também não o é o 'politicamente
correto'. Toda a linguagem é feita de ilimitadas e controversas combinações. A
liberdade de expressão é que, como princípio, impede que uns padrões
linguísticos se imponham sobre outros, na nossa conhecida censura...
E o que se quer afinal, contra Casoy, Lobão, Marta,
Bolsonaro e Mônica? Além da eventual execração ou reação pública? E se não
surge, é com a censura que consertamos isso? Afinal, outroladismo e o
impedimento de expressão só serve para os outros? Não há atalhos. Ou ganhamos a
sociedade para concepções mais avançadas ou o atraso prevalecerá. Se
avançarmos, poderemos rir de tudo sem que o mundo caia sobre nossas cabeças
(frase corrente do Asterix, aquele quadrinho chauvinista e colonialista
francês...).
A questão não é se é permitido atacar vulneráveis. A questão
é: é o humor que os torna vulneráveis? Garis deixarão de ser vistos como
inferiores se Casoy for emudecido, numa sociedade de citadas diferenças
abissais? Homossexuais deixarão de ser agredidos se não forem objeto de
representações estereotípicas (há algo mais estereotípico que uma parada gay?).
Mulheres deixarão de ser agredidas se os humoristas as deixarem em paz (Rafinha
Bastos fez turnê no Congo e na África do Sul?).
E o anúncio da modelo Gisele Bündchen?[2] Ora, boçalidade modernosa!
Mais uma vez o gosto e a opinião devem ser critérios de permissão de
existência! Certamente a modelo, aliás, independente e bem-sucedida produz o
'sexismo atrasado e superado' que contribui de fato para a submissão da mulher!
Os espectadores não percebem a ironia, claro, e assim são incapazes de fazer
uma leitura menos linear que a da genial ministra. Precisam ser protegidos de
tão insidiosa conspiração machista! Suspenda-se a peça!
Sou partidário aguerrido do politicamente incorreto, reação
popular ao 'politicamente correto'. Não sei se quebro paradigmas, mas atendo à
minha leitura de que, em primeiro lugar, a linguagem é, como tantos outros,
campos de disputa. Em segundo, que essas disputas não se ganham com a censura.
E terceiro, e mais pessoal, a de que me criei no subúrbio do Rio de Janeiro,
onde sempre foi evidente que o humor cáustico e sacana convive em harmonia com as
almas mais gentis, e a intolerância é, quase sempre, companheira da sisudez.
Sejamos duros. Combatamos a censura dos proprietários e
anunciantes privados e a censura de Estado da ministra Iriny Lopes. Lutemos com
ideias, inclusive as bem-humoradas, por uma sociedade mais crítica e
inteligente. Mas não com o garrote da censura. Que os deuses de todos as
panteões nos protejam de sisudas esquerdas "evangélicas" e
moralistas, e do inferno prometido de um socialismo 'amish'".[3]
Outra polêmica foi a da razia contra a obra de Monteiro
Lobato, ameaçada de ser retirada de programa governamental ou de ser “explicada”
em notas, considerada “racista”. Na ocasião também participei com comentário a
um artigo em um Blog:
“A polêmica existe e até morna pela gravidade do fato. E o seu cerne é exatamente a exigência de "notas explicativas" para a circulação da obra nas escolas. Trata-se de censura classificatória e, pior, rotulatória. Por que não um carimbo na capa: racista!
“A polêmica existe e até morna pela gravidade do fato. E o seu cerne é exatamente a exigência de "notas explicativas" para a circulação da obra nas escolas. Trata-se de censura classificatória e, pior, rotulatória. Por que não um carimbo na capa: racista!
É a liberdade de expressão que está em jogo. As editoras
publicarão autores com trechos polêmicos, passíveis de serem incluídos no index
do Estado, somados os critérios burocráticos e os programas oficiais de compras
de livros?
Aliás, diga-se, a profa. Marisa Lajolo, citada, já se
posicionou contra a prática das notas. A pesquisadora critica considerarem-se
as crianças como tontas (vejam o texto no link abaixo). Eu diria que são
classificados como tontos também os professores e a sociedade.
A profa. Lajolo também questiona certeira: o que as notas
explicarão? ‘A nota deve informar ao leitor que ‘Caçadas de Pedrinho’ é um
livro racista?’. E quem escreve e/ou decide? Será nomeado um ‘explicador-geral
da República’?
O poder de compra do governo orienta práticas no mercado
editorial e a cunha do CNE, pode esperar, anuncia outras ações. E aí não me
preocupa tanto Lobato, que sobreviverá como Gulliver em Liliput, mas os outros
(novos) autores. O que passa a ser suspeito? E como resistirão eles à censura
associada de burocracia estatal e mercado?
Por fim seguem o link prometido e uma declaração de Marisa
Lajolo, evidenciando a real polêmica. Fla-Flu é dividir a sociedade entre
racistas (contra a censura) e não racistas (pela censura) face à liberdade da
expressão.
http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/11293/quem-paga-a-musica-escolhe-a-danca
‘Estamos (no Brasil) em pleno epicentro de uma polêmica
nacional: o Conselho Nacional de Educação acabou de proibir a presença do livro
‘Caçadas de Pedrinho’ (de Monteiro Lobato) nos acervos com os quais o Governo
Federal provê livros para escolas públicas por considerá-lo racista e por
julgar os professores incompetentes para lidar com a questão. Faço parte do
grupo de educadores que considera a medida absurda. E vos pergunto: como os
Estados Unidos (melhor dizendo, autoridades educacionais norte-americanas)
lidam com obras como Tom Sayer, Aventuras de Huck, Cabana de Pai Tomás?
Circulam nas escolas? Não circulam? Circulam com informações de que têm
conteúdo racista? Tenho o maior interesse em saber, e de antemão fico muito
grata.
Abraço.
Marisa Lajolo’."[4]
Mais recentemente, já neste São João del Pueblo, lembrei da censura sofrida pela obra do
pintor, e comunista, Cândido Portinari, em livros didáticos. Violência
obscurantista concertada por um movimento racialista, sob a ameaça do
Judiciário e acatada por editora privada[5]. Reagi também à proposta de censura série de TV
O sexo e as nega, antes mesmo de sua estreia, iniciativa obscurantista com um
triste acolhimento pelo PCB de Minas Gerais[6]. Não faltou quem
questionasse a preocupação com algo tão fútil, pois é aí que reside a questão:
a liberdade ao que não gostamos.
Para nós a liberdade de expressão não é algo de somenos, ou
coisa de burguês. Insistimos no assunto até porque ele parece deslocado em
nossa sociedade, e em nossas esquerdas. Parece por demais sedutora a ideia de
apagar o que nos incomoda, ou o que incomoda a quem quer que seja, o que é complicado em 200 milhões de habitantes... Claro, tudo
isso implica o arrogar-se em controlar os sentidos presentes nas mais variadas
obras e representar parcelas da sociedade que não autorizaram serem representadas. Trata-se, sobretudo, de tentar tutelar a sociedade, até mesmo a infantilizando. É questão
essencial para uma discussão entre as esquerdas e, em especial, os comunistas. Afinal,
temos mitos a destruir quanto a nossas “tendências autoritárias” e uma nova
sociedade a construir... Nela haverá liberdade de expressão?
[1]
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/01/1575802-rafinha-bastos-voce-e-realmente-charlie.shtml
[2]
Em fins de 2011 a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Política para as
Mulheres, pediu a suspensão, de uma propaganda com a modelo Gisele Bündchen ao
Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária), após denúncia de
feministas.
Foi o suficiente para que movimentos em defesa das
mulheres manifestassem repúdio ao conteúdo da propaganda, endossado pela
secretaria do governo federal. A "reação à reação", no entanto, foi
ainda mais forte: a ministra foi criticada por supostamente tentar cercear a
liberdade de expressão. Para os "críticos da crítica", faltou bom
humor ao governo e às feministas.
[3]
Comentário ao artigo Rafinha não dançou
por machismo, mas por mexer com gente rica, de Gilberto Maringoni. Folha de
São Paulo, 10/10/2011. http://cartamaior.com.br/?/Coluna/Rafinha-nao-dancou-por-machismo-mas-por-mexer-com-gente-rica/22793.
[4]
Comentário ao artigo Monteiro Lobato, o
racismo e uma falsa polêmica, do Blog O
biscoito fino e a massa. http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/monteiro_lobato_o_racismo_e_uma_falsa_polemica.php
[5]
http://saojoaodelpueblo-pcb.blogspot.com.br/2014/09/a-censura-estatal-privada-sob-o-manto.html
[6]
Fiz uma nota pública e a retirei ao ser informado de que havia sido um erro, o
que não se verificou, arrependi-me de retirar tal nota.
Je Suis Charlie...Coulibaly?
Por Lúcio Jr, professor de Filosofia em Bom Despacho MG
Editor do blog Revista Cidade Sol.
Os frutos do atentado contra a revista Charlie Hebdo na França já começam a brotar. Primeiro, foram os ataques contra os locais de culto muçulmanos, logo depois do ataque.
Em primeiro lugar, eu julgo importante supor o atentado como sendo uma "falsa bandeira", ou seja, um atentado que poderia ser realizado pelo Mossad. Várias fontes na internet levantaram essa hipótese. Creio que muitos atentados, desde o Onze de Setembro, devem ser avaliados nesse sentido. É bem possível que o Onze de Setembro tenha sido o fogo no Reichstag de Bush, ou seja, uma desculpa para implementar uma política que, democraticamente, jamais seria possível implementar.
Em segundo lugar, o chororô da imprensa brasileira é PURA hipocrisia. São pessoas que até ontem censurariam essas charges, que não as publicariam, fossem elas anti-católicas ou anti-islâmicas, como aliás, em geral, são as charges do Charlie Hebdo. Elas só são publicáveis lá porque a França é um estado onde a separação entre estado e religião é bastante rígida, ao contrário daqui. Como aqui essa divisão é fraca ou não existe, a imprensa segue o estado (como quase sempre sob regime capitalista) e não publica charges que possam ofender religiosos. Só publicaram as charges do Charlie Hebdo, portanto, com o ataque da última quarta-feira. E agora "Somos Todos Charlie". Uma pinóia! São todos mentirosos, isso sim.
Agora, estamos sabendo, pela televisão, de várias prisões, entre as quais as do comediante Dieudonné. Ele foi preso por fazer suposta apologia ao terrorismo, na realidade, apenas por fazer algumas postagens no facebook ironizando o atentado, dizendo-se Charlie Coulibaly.
O atentado a jornalistas tornou-se um grande evento de mídia. Como aparece na mídia, é algo como "um instante mágico semelhante ao Big Bang". Se esse atentado não existisse, deveria ser inventado, pois serve muito bem ao poder.
E nada disso de conclamar todos a fazer frente única de apoio à "liberdade de expressão", mas apoiar, na prática, um estado totalitário e de exceção que prende humoristas e, com a militarização do estado a pretexto do terrorismo, coíbe todo tipo de movimento social, gera perseguição do estado para os grupos já perseguidos pelo estado francês: imigrantes de origem árabe, ciganos, etc.
Aqui no Brasil ocorreu algo semelhante, para fazer megaeventos, em especial a Copa, construiu-se um estado de exceção e totalitário em que a polícia prende, o judiciário não solta e a imprensa faz coro com o estado fascista de Dilma Rousseff, criminalizando os movimentos sociais, o que configura uma situação pior do que a ditadura militar em certo sentido, pois no tempo da ditadura, antes do AI-5, a polícia prendia e o judiciário soltava, boa parte dos intelectuais e artistas apoiavam. Hoje ocorre justamente o contrário, intelectuais e artistas são praticamente todos, com uma ou outra exceção, como Ney Mattogrosso e Eduardo Viveiros de Castro, coniventes. Mesmo a oposição de esquerda, quando reclama, reclama com má vontade e sem convicção alguma, pois PCB, PSOL, PSTU e outros antagonizam e são antagonizados por boa parte desses movimentos sociais como Passe Livre, MEPR, etc. Na última manifestação do Passe Livre foram 71 presos. Já existem 23 presos políticos. Até quando vamos esperar sem protestar???
SOMOS CHARLIE! OU SOMOS MAIS ÁRABES QUE OS ÁRABES, MAIS MUÇULMANOS QUE OS MUÇULMANOS, MAIS COMUNISTAS QUE O PCF, OU APENAS TOLOS?
Wlamir Silva
Professor
Historiador
A grande manifestação encabeçada pelo Partido Comunista Francês (PCF) reuniu 35 mil pessoas em Paris. A emblemática frase "Eu sou Charlie" e os gritos de "Charlie!" se destacaram num amálgama heterogêneo de esquerdas e outras formas de pensamento. No alto do sítio oficial do PCF, e da Frente de Esquerda, se destaca o "Nous sommes Charlie" e, mais, a convocação para a manifestação evocando os valores da República. Um pouco abaixo, o lema revolucionário de 1789, Liberté, Egalité, Fraternité[1].
Professor
Historiador
A grande manifestação encabeçada pelo Partido Comunista Francês (PCF) reuniu 35 mil pessoas em Paris. A emblemática frase "Eu sou Charlie" e os gritos de "Charlie!" se destacaram num amálgama heterogêneo de esquerdas e outras formas de pensamento. No alto do sítio oficial do PCF, e da Frente de Esquerda, se destaca o "Nous sommes Charlie" e, mais, a convocação para a manifestação evocando os valores da República. Um pouco abaixo, o lema revolucionário de 1789, Liberté, Egalité, Fraternité[1].
O palestino Hamas e o libanês Hezbollah tentam se
desvencilhar da identidade com os jihadistas[2]. Até porque tal identidade
é muito conveniente aos seus inimigos: o sionismo, a direita europeia preconceituosa
e anti-imigrantista e, de forma mais complexa e mesmo contraditória, a forças
que lucram estrategicamente com o “choque de civilizações”. Afinal, a Al-qaeda foi
cevada nas entranhas da Arábia Saudita, maior aliada dos EUA no Oriente Médio,
e fabricantes de armamentos alimentam várias partes envolvidas.
O líder do Hezbollah diz que “que os jihadistas que realizam
atentados no mundo são mais nocivos para o Islã que as obras que fazem piada
com Maomé” e classifica o terrorismo de “atos imundos, violentos e desumanos”. Sem
o peso maior do islamismo, o Hamas denuncia de forma contundente a estratégia
de relacioná-los ao terrorismo jihadista e “condena as tentativas desesperadas
do primeiro-ministro israelense de fazer uma ligação entre, de um lado, nosso
movimento e a resistência de nosso povo, e, do outro, o terrorismo através do
mundo”[3].
Por aqui, vemos “esquerdas” repelindo o “Eu sou Charlie”.
Uns em nome de uma canhestra construção ideológica pela qual a crítica ao
terrorismo extremista religioso corresponderia ao fortalecimento do
imperialismo e da direita europeia[4]. Para estes é preciso
aceitar tudo o que é, confusamente, árabe e antieuropeu. Creditam ao problema
cultural os problemas dos imigrantes, desconhecem os problemas dos
trabalhadores europeus e reforçam, assim, as construções socialmente
separatistas da direita: jogam os trabalhadores franceses no colo de Le Pen!
Outros rejeitam o “Eu sou Charlie” por não admitirem a liberdade de expressão como questão de fundo. Lamentam apenas os assassinatos, mas demonstram o desejo de censura contra “excessos”. Uns pelo que para eles – e para os assassinos do Charlie – parece um inaceitável ataque à religião. Um deles, curiosamente um religioso..., diz com todas as letras: “Nem toda censura é ruim”[5]. Para outros o Charlie era também islamofóbico, por, supostamente, representar muçulmanos como terroristas (deviam vesti-los como Charlie Chaplin?) e, eventualmente, terem sido desrespeitosos com negros e mulheres...
Classificando o periódico como islamofóbico, racista e misógino, alguns encontram ali uma espécie de versão politicamente correta do infantil: “bem feito”! Para eles não importam os contextos, o caráter limítrofe do estilo satírico ou o peso de cada charge na história de um jornal de 45 anos de existência. Mas, o fundamental é que para estes a liberdade de expressão deve ser a liberdade de expressão do que ELES consideram bom, justo e aceitável...
Tal postura é ainda mais sensível pelos que toleravam a mais ácida crítica à religião, com a qual concordam, mas estrilaram contra uma ou outra charge tida por racista, tema mais sensível ao politicamente correto tupiniquim. Afinal um humorista com pretensões “politicamente corretas” aponta o fato de o pastor Marco Feliciano haver externado “o desejo de que o Porta dos Fundos ‘brincasse com islamismo pra ver o que é bom pra tosse’”[6]. Ou seja, a correção e o desrespeito são seletivos. Politicamente incorreto, passível de censura e punição, e até compreensivelmente inspirador de violência é aquilo com que nós não concordamos.
Não parece pensar assim o PCF, ou a Frente de Esquerda francesa. Ou não grafariam o Liberté, Egalité, Fraternité, como princípios que devem ser ampliados e plenamente realizados, não negados como "brancos", europeus e elitistas. Não clamariam à República e, de certo modo, à Nação, como dimensões históricas a serem transformadas, e não negadas frente a um “periferismo” racialista, piegas e idealizado. Não negam, pois, a liberdade de expressão como princípio universal a ser aprimorado. Não negam os trabalhadores franceses, o conjunto da sociedade, ou os confundem com a tal “elite branca”, e não os jogam nos braços da extrema-direita. Não confundem terrorismo com árabes ou islâmicos.

E não, não nos rendemos aqui ao que diz o PCF, ou o Hamas... Ou qualquer outro. Precisamos pensar por nós mesmos. Fugir por nós mesmos nas nossas armadilhas culturalistas e identitárias. Discutir nossas tendências a relativizar a liberdade de expressão diante da cara feia de grupelhos obtusos. Pôr em questão a tentação de dividir a classe trabalhadora em busca de “atalhos” aparentemente mais fáceis do racialismo, da política de gênero, de sexualidade ou juventude[7]. Sobretudo ter como central o mundo do trabalho e, ainda mais, a crítica ao complexo sistema capitalista e a perspectiva de sua transformação radical. Só assim deixaremos de ser 1% nas eleições, retomaremos paulatinamente o significado político e fortaleceremos os que no mundo também assim o desejam.
Outros rejeitam o “Eu sou Charlie” por não admitirem a liberdade de expressão como questão de fundo. Lamentam apenas os assassinatos, mas demonstram o desejo de censura contra “excessos”. Uns pelo que para eles – e para os assassinos do Charlie – parece um inaceitável ataque à religião. Um deles, curiosamente um religioso..., diz com todas as letras: “Nem toda censura é ruim”[5]. Para outros o Charlie era também islamofóbico, por, supostamente, representar muçulmanos como terroristas (deviam vesti-los como Charlie Chaplin?) e, eventualmente, terem sido desrespeitosos com negros e mulheres...
Classificando o periódico como islamofóbico, racista e misógino, alguns encontram ali uma espécie de versão politicamente correta do infantil: “bem feito”! Para eles não importam os contextos, o caráter limítrofe do estilo satírico ou o peso de cada charge na história de um jornal de 45 anos de existência. Mas, o fundamental é que para estes a liberdade de expressão deve ser a liberdade de expressão do que ELES consideram bom, justo e aceitável...
Tal postura é ainda mais sensível pelos que toleravam a mais ácida crítica à religião, com a qual concordam, mas estrilaram contra uma ou outra charge tida por racista, tema mais sensível ao politicamente correto tupiniquim. Afinal um humorista com pretensões “politicamente corretas” aponta o fato de o pastor Marco Feliciano haver externado “o desejo de que o Porta dos Fundos ‘brincasse com islamismo pra ver o que é bom pra tosse’”[6]. Ou seja, a correção e o desrespeito são seletivos. Politicamente incorreto, passível de censura e punição, e até compreensivelmente inspirador de violência é aquilo com que nós não concordamos.
Não parece pensar assim o PCF, ou a Frente de Esquerda francesa. Ou não grafariam o Liberté, Egalité, Fraternité, como princípios que devem ser ampliados e plenamente realizados, não negados como "brancos", europeus e elitistas. Não clamariam à República e, de certo modo, à Nação, como dimensões históricas a serem transformadas, e não negadas frente a um “periferismo” racialista, piegas e idealizado. Não negam, pois, a liberdade de expressão como princípio universal a ser aprimorado. Não negam os trabalhadores franceses, o conjunto da sociedade, ou os confundem com a tal “elite branca”, e não os jogam nos braços da extrema-direita. Não confundem terrorismo com árabes ou islâmicos.

E não, não nos rendemos aqui ao que diz o PCF, ou o Hamas... Ou qualquer outro. Precisamos pensar por nós mesmos. Fugir por nós mesmos nas nossas armadilhas culturalistas e identitárias. Discutir nossas tendências a relativizar a liberdade de expressão diante da cara feia de grupelhos obtusos. Pôr em questão a tentação de dividir a classe trabalhadora em busca de “atalhos” aparentemente mais fáceis do racialismo, da política de gênero, de sexualidade ou juventude[7]. Sobretudo ter como central o mundo do trabalho e, ainda mais, a crítica ao complexo sistema capitalista e a perspectiva de sua transformação radical. Só assim deixaremos de ser 1% nas eleições, retomaremos paulatinamente o significado político e fortaleceremos os que no mundo também assim o desejam.
* Todas as imagens foram retiradas do sítio oficial do PCF.
[1] Nous sommes Charlie - Marche républicaine dimanche 15h00 de république à Nation.
http://www.pcf.fr/, acessada em 12 de janeiro de 2015. O ponto de partida e de chegada, as praças da República e da Nação, também têm seu significado.
[2] http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/01/1573444-grupo-palestino-hamas-condena-ataque-contra-jornal-frances.shtml.
[3] Idem.
[4] Plínio Zúnica: Por que não sou Charlie Hebdo. http://www.vermelho.org.br/noticia/256927-6
[5] Trata-se do senhor Leonardo Boff. Boff foi condenado em 1985 pelo Vaticano e cumpriu a pena, literalmente, religiosamente. Parece para ele natural submeter-se a ditames teocráticos... https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/10/eu-nao-sou-charlie-je-ne-suis-pas-charlie/
[6] Gregório Duvivier. Viva a falta de respeito, humor não é ofensivo. http://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2015/01/1573507-viva-a-falta-de-respeito-humor-nao-e-ofensivo.shtml
[7] Questões importantes, mas que não podem ser centrais, em parte porque podem ser resolvidas ou avançadas no âmbito burguês, e devem ser absorvidas no seio e dinâmica de movimentos globais . Em especial é problemática a separação dos trabalhadores em nichos identitários, os separando e mesmo os opondo pela cor, gênero, opção sexual ou faixa etária.
OU SOMOS CHARLIE OU AHMED. EU SOU CHARLIE!
Wlamir Silva
Professor
Professor
Historiador
É fácil fazer o repúdio formal dos assassinatos dos jornalistas/ humoristas franceses e, incontinenti, pontuá-lo com um gigantesco MAS e transformá-lo num pé-de-página de um grosso volume dedicado a um abstrato imperialismo e uma penalizante islamofobia. Os muçulmanos não admitem que se brinque com Maomé, ora, porque não os satisfazemos? E aí não há pejo de se defender a mais deslavada censura: "Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar. 'Mas isso é censura', alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra 'Censura' é repreender.”(1).
É fácil fazer o repúdio formal dos assassinatos dos jornalistas/ humoristas franceses e, incontinenti, pontuá-lo com um gigantesco MAS e transformá-lo num pé-de-página de um grosso volume dedicado a um abstrato imperialismo e uma penalizante islamofobia. Os muçulmanos não admitem que se brinque com Maomé, ora, porque não os satisfazemos? E aí não há pejo de se defender a mais deslavada censura: "Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar. 'Mas isso é censura', alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra 'Censura' é repreender.”(1).
Se alguns muçulmanos não toleram que se faça humor com seus
símbolos, que todos se enquadrem aos seus desejos. Assim como aos de todo e
qualquer grupo que se sinta prejudicado. Em tão simples equação pode-se
proibir, por exemplo, que negros sejam representados como criminosos: "É
como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos
que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que
assaltam...". E, claro, isso serve para mulheres, gays, gordos etc. É mesmo
o desdobramento lógico da coisa. E também se afirma que quaisquer queixosos
representam o conjunto dos ofendidos - onde eles atestam esta representação? -
e a exigência de um conjunto de instrumentos e, pior, uma cultura de controle e
punição aos "excessos".
E por que tudo isso se justifica? Porque os atingidos são
marginalizados pelo imperialismo (2) pela mídia reacionária e por imemoriais
perseguições. Em nome disso ganham foros de legitimidade os apelos à censura
assentada num "anti-imperialismo" relativista e multiculturalista que
garante a cada grupinho barulhento - e aqui a única coisa lamentada é
assassinar... - o direito de calar a livre expressão. Além, é claro de inflar o paternalismo condescendente para com os "frágeis", como se não fosse apenas deles, de sua força, que pudesse vir a sua emancipação. O Charlie Hebdo fazia
chorar porque não se enquadrou, e por isso era apenas um
"departamento", alternativo, é verdade, da mídia reacionária, ou, no
jargão tupiniquim, do PIG... É calando
que se promove a justiça social... Será mesmo?
É curioso que governos e movimentos islâmicos extremistas sejam extremamente misóginos e homofóbicos, assim como com quaisquer desviantes sociais, inclusive com outras religiões... É o caso de se perguntar: que contribuições o radicalismo islâmico deu à crítica da ordem capitalista e a um horizonte socialista? E também que os imigrantes aceitem plenamente a ordem capitalista, desejando apenas (e quantos realmente desejam? e o que desejam?) a preservação de um nicho “cultural”, que pode conviver muito bem com a cultura consumista. O mesmo pode ser dito dos movimentos centrados em questões específicas de “raça”, gênero ou opção sexual desligados de lutas mais amplas e, por vezes, transformados em “astros” da grande mídia ou clientes do Estado. Ou seja, a única coisa que os incomoda é a liberdade de expressão?
A questão é irrecorrível. Não há como fazer conviver as duas opções: ou defendemos a liberdade de expressão ou nos rendemos ao relativismo multiculturalista. Ou enfrentamos a ordem capitalista no que ela é de fato, e discutimos as formas universais da organização da propriedade, do trabalho e da liberdade de expressão – sim, elas estão no mesmo nível de importância. Ou seremos coniventes com a ordem burguesa – e seus congêneres teocráticos ainda mais atrasados – e daremos primazia às supostas demandas identitárias e multiculturais com ela bem afinadas. A crítica ao imperialismo, incluindo aí a extrema-direita francesa, deve ser feita nos termos exatos de sua responsabilidade pela miséria criada, e não pelos falsos atalhos da censura e da divisão da sociedade em guetos que se encontram apenas nos, estes sim, inquestionáveis templos do mercado. O mercado e a propriedade são o "absoluto cultural"que ancora as relatividades periféricas e palatáveis.
Agora, ou somos “Charlie” – e tanto melhor se o acharmos “excessivo”, se algumas imagens nos incomodam, pois é nos extremos que se testa a liberdade de expressão – ou somos “Ahmed”... Até porque “Ahmed” pode ser “Charlie” – e muitos devem estar fazendo-o – e não o contrário... A bandeira revolucionária é a da tolerância universal e a liberdade de expressão deve ser dela patrimônio. É nossa tarefa separar o joio do trigo na indignação social, combater a exploração, o preconceito e as manipulações simplistas, que pretendem retirar o foco das questões de fundo. Eu sou “Charlie”!
É curioso que governos e movimentos islâmicos extremistas sejam extremamente misóginos e homofóbicos, assim como com quaisquer desviantes sociais, inclusive com outras religiões... É o caso de se perguntar: que contribuições o radicalismo islâmico deu à crítica da ordem capitalista e a um horizonte socialista? E também que os imigrantes aceitem plenamente a ordem capitalista, desejando apenas (e quantos realmente desejam? e o que desejam?) a preservação de um nicho “cultural”, que pode conviver muito bem com a cultura consumista. O mesmo pode ser dito dos movimentos centrados em questões específicas de “raça”, gênero ou opção sexual desligados de lutas mais amplas e, por vezes, transformados em “astros” da grande mídia ou clientes do Estado. Ou seja, a única coisa que os incomoda é a liberdade de expressão?
A questão é irrecorrível. Não há como fazer conviver as duas opções: ou defendemos a liberdade de expressão ou nos rendemos ao relativismo multiculturalista. Ou enfrentamos a ordem capitalista no que ela é de fato, e discutimos as formas universais da organização da propriedade, do trabalho e da liberdade de expressão – sim, elas estão no mesmo nível de importância. Ou seremos coniventes com a ordem burguesa – e seus congêneres teocráticos ainda mais atrasados – e daremos primazia às supostas demandas identitárias e multiculturais com ela bem afinadas. A crítica ao imperialismo, incluindo aí a extrema-direita francesa, deve ser feita nos termos exatos de sua responsabilidade pela miséria criada, e não pelos falsos atalhos da censura e da divisão da sociedade em guetos que se encontram apenas nos, estes sim, inquestionáveis templos do mercado. O mercado e a propriedade são o "absoluto cultural"que ancora as relatividades periféricas e palatáveis.
Agora, ou somos “Charlie” – e tanto melhor se o acharmos “excessivo”, se algumas imagens nos incomodam, pois é nos extremos que se testa a liberdade de expressão – ou somos “Ahmed”... Até porque “Ahmed” pode ser “Charlie” – e muitos devem estar fazendo-o – e não o contrário... A bandeira revolucionária é a da tolerância universal e a liberdade de expressão deve ser dela patrimônio. É nossa tarefa separar o joio do trigo na indignação social, combater a exploração, o preconceito e as manipulações simplistas, que pretendem retirar o foco das questões de fundo. Eu sou “Charlie”!
1) Je ne suis pas Charlie. http://emtomdemimimi.blogspot.com.br/2015/01/je-ne-suis-pas-charlie.html
2) Ça faisait longtemps que Charlie Hebdo ne
faisait plus rire, aujourd’hui il fait pleurer. http://quartierslibres.wordpress.com/2015/01/07/ca-faisait-longtemps-que-charlie-hebdo-ne-faisait-plus-rire-aujourdhui-il-fait-pleurer/
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