Abaixo publicamos na integra a carta de Sammer Siman, anunciando sua saída do PCB, e a resposta de Alex Lombello Amaral, que permanece no Partido Comunista.
CARTA DE DESLIGAMENTO DO PCB
Por Sammer Siman, militante social e economista
São Paulo, 01 de maio de 2011
Venho por meio desta desligar-me do Partido Comunista Brasileiro. Uma decisão que me deixa insatisfeito por um lado, por deixar de estar junto de alguns valorosos camaradas de honestidade revolucionária ímpar, mas que me deixa aliviado por outro, por estar deixando um ambiente permeado por dogmatismos e misticismos.
Minha entrada no PCB, primeiro partido em que me organizei, aconteceu em setembro de 2007, três anos depois do início de minha militância no movimento social. Ali, depois de anos de dedicação ao movimento estudantil, adquiri a clareza que a luta política era mais complexa, sendo a opção partidária a única alternativa pra uma necessária ação coletiva situada na totalidade, uma ação que englobasse atuação nos movimentos sociais, disputa do poder do Estado, denúncia dos limites e contradições capitalistas, estudo das experiências socialistas, estudo do socialismo científico, etc, etc.
Entrei no PCB com uma clareza: Tudo na política (assim como na vida) passa essencialmente pelo método, passa pelo “o que fazer e como fazer”, pois não basta simplesmente convicção do que se quer, não basta boa vontade. Assim, desde o início tive um foco: refletir o método de se fazer política.
Minha experiência vinha da prática do DCE UFSJ, que partia de um diagnóstico muito claro: O movimento estudantil estava falido, e o grande responsável por isso eram os partidos que o mantinha aparelhado, eternizando um movimento nada representativo, parasitário e negativo inclusive para os próprios partidos de pretensões revolucionárias. Logo, uma condição pra mim era essencial: militar num partido que não aparelhasse o movimento estudantil, que estivesse disposto a rever o método, a práxis.
O raciocínio foi direto: nada melhor do que um partido comunista para fazer autocrítica, pois se nós comunistas não fizéssemos quem mais faria?
Por quase quatro anos militei no PCB com este foco, tendo esta questão como central (e não única). Convencer camaradas da necessidade de revermos o método. Alertar pra compreensão básica de que só avançaremos com espaços democráticos, pois a prática do poder na base é essencial para termos um Estado hegemonizado pela classe trabalhadora no futuro. Ter um movimento estudantil que pratique uma democracia de fato é condição necessária (mas não suficiente, porque os estudantes são só uma parte da sociedade) pra uma democracia de fato na sociedade como um todo.
No entanto, ao invés de deparar-me com um partido “arejado”, deparei com muitos camaradas repletos de dogmas, carregando práticas autoritárias, entendendo o ser comunista como sinônimo de uma figura iluminada, detentora das verdades do mundo e bastião duma tão falada revolução. Camaradas que acham que revolução é um joguinho de vídeo-game, com fases pré-definidas e mecanizadas.
Camaradas que acreditam sinceramente que revolução é sinônimo de uma quartelada, que acreditam que a coragem pra apertar um gatilho é suficiente pra colocarem-se na posição de revolucionários (em anexo mando um artigo do camarada Alex Lombello que segue no PCB, que trata de algumas infantilidades dos comunistas).
Ora, tais reflexões podem me fazer parecer detentor de verdades. Não as tenho, mas tenho humildade pra reconhecer que pouco ou nada estamos construindo pra formação de uma massa crítica que seja capaz de se autodeterminar.
O PCB hoje não consegue dialogar com seu povo. Quer falar de socialismo como conceito pra uma massa inculta, que não sabe a diferença entre capitalismo e socialismo. Utiliza-se de uma linguagem militante pro povo, defendendo coisas como “o Brasil só muda com uma revolução socialista” ou então “da necessidade de conformarmos um bloco histórico do proletariado”, enquanto deveria priorizar a inserção nos movimentos de base pra ajudar na sua reorganização, contribuir pra elevar sua massa crítica, ajudando a sintonizar as contradições quotidianas na totalidade.
É como disse Anita Prestes numa oportunidade em Cuba: O PCB está repleto de intelectuais brilhantes, formulando idéias brilhantes que não dialogam com as correlações de forças sociais que estão dadas.
O triunfo soviético aconteceu sob a bandeira “pão, paz e terra”. O cubano sob bandeiras como “abaixo a ditadura de Batista, pela reforma agrária, pelo fim do analfabetismo”. A Venezuela está criando bases pro socialismo resgatando uma identidade nacional, buscando por soberania por meio do combate das mazelas e da ignorância de seu povo. E só avançaremos no Brasil lutando por sua soberania, contribuindo pro nosso povo se autodeterminar. Ademais, todos estes processos vieram de lutas de décadas ou mesmo secular, não tendo nada sido construído "do dia pra noite".
Aqui estou novamente falando de método, pois sou internacionalista, enxergo o mundo pela ótica da luta de classes e não por meras fronteiras geográficas. No entanto, lutar por soberania nacional é condição básica pra construção de um Brasil socialista. O partidão hoje atribui o nacionalismo pra burguesia, como se esta tivesse algum compromisso com nosso povo. Assim, o partido perde um foco elementar, que é o caminho que temos pra construir outra sociedade utilizando-nos de nossa identidade nacional. É na esteira desta luta que nosso povo terá condições de assimilar conhecimento pra se reorganizar enquanto sociedade.
O PCB também comete outro erro básico. Nega a complexidade da luta política, tentando definir toda correlação de forças por meio de uma sopa de letrinhas, como se o Brasil tivesse homogeneidade partidária. Pude trabalhar num município chamado Açucena (MG), uma cidade de 11 mil habitantes. Ora, o que se vê num lugar como este muitas vezes é, um PSDB ou um DEM mais progressista que um PSB, ou um PT mais de direita do que um PMDB, e por aí vai...Ora, quantas “Açucenas” existem no Brasil?
Novamente aqui estou tratando de método. A maneira de se posicionar num determinado espaço pela compreensão da contradição fundamental da política, o que não se caracteriza muitas vezes pela composição do partido X ou Y. Assim, volta e meia o PCB comete atrocidades como a destituição do comitê da Paraíba porque este apoiou João Maranhão no segundo turno de 2010, uma figura nada revolucionária, mas que era menos pior do que o tucano rival. Ou como ocorrido no Maranhão, de não ter aliado com o PC do B, porque o PC do B é inimigo em função das divergências históricas e da macro-política.
E nestas idas e vindas o PCB segue numa política puritana e sem assumir nenhum compromisso com o povo paraibano, maranhense, com o povo brasileiro.
Estes equívocos têm relação com um problema básico: concepção partidária. No meu entendimento, um partido tem que ser tido como um organismo vivo, capaz de interagir com o povo, mostrando alguns caminhos e contradições para este de um lado e aprendendo e se renovando com este mesmo povo de outro.
Logo, deve partir do pressuposto que não temos respostas pra tudo. Não temos uma visão holística e consensuada da história, não temos todas as respostas prontas pro futuro, até porque isso é a negação da dialética, elemento fundamental que garante a atualidade do marxismo. Pra mim, partido é um organismo vivo, que nem sempre terá respostas dadas. Um partido que se coloca como baluarte da verdade, que carrega consigo certezas sobre tudo e todos, não é um partido, e sim uma igreja, uma seita missionária que leva adiante respostas prontas.
E isso me deixava desconfortável no PCB. Excessivas certezas sobre tudo, uma maxi simplificação da realidade. Um usual maniqueísmo sobre tudo e todos, sendo ou um governo muito ruim ou um governo muito bom. O fato de chegar numa reunião partidária vendo militantes querendo resolver os problemas da crise mundial ou da Conchinchina sem muitas vezes saber o que fazer num âmbito sindical na sua base.
Ademais, a prática do PCB tem graves elementos conservadores na sua relação partidária interna. Um fulano por vezes vira membro do comitê central ad eterno por suas contribuições históricas no partido, independente de sua capacidade de desempenhar determinadas funções e de representar a base do partido.
Estou com Fidel Castro no modo de lidar com isso. Dizia ele no contexto do I Congresso do PC Cubano em 1975 que alguém não seria dirigente partidário pelo simples fato de ter participado da guerrilha de Sierra Maestra. Condição fundamental pra direção seria ter respaldo da base, representá-la de fato.
Ou seja, mais uma questão de método. Uma ou outra destas críticas que faço aqui não fiz dentro do partido, mas ali vivi o suficiente pra compreender que o grosso da militância partidária está irredutível para rever seus métodos.
Uma de minhas atuações mais contundente no PCB e que mais me motivou a tomar esta decisão aqui anunciada aconteceu no ano de 2010, no contexto das eleições pro DCE UFMG. Ali militei com camaradas de valiosa intenção revolucionária que, enquanto estivemos juntos, encamparam a bandeira de reorganização pela base, ou seja, fizeram uma reflexão do método.
Passado o tempo, eis os mesmos camaradas retomando velhas práticas, assentados sobre os velhos métodos de se fazer política. Ver isso é algo que me tira as energias, pois, afinal, meu compromisso é contribuir na construção de uma sociedade socialista e não com o instrumento que pode aparentar ser mais contundente para tal.
É como disse ao camarada Otávio em Cuba, tenho amor a causa e não ao instrumento. Isso me dá muita tranqüilidade pra tomar essa decisão hoje, sem medo de errar, sabendo do risco de estar cometendo um erro. No entanto, não pecarei pela omissão, sigo meu caminho na decisão que me parece a mais acertada neste momento.
Sou comunista pela simples fato de almejar uma sociedade mais justa, e querer dar a minha pequena contribuição pra isso, sem nenhuma ilusão de que viverei nesta sociedade. Felizmente já passei da fase de auto-afirmação, e darei minha humilde contribuição repercutindo uma práxis comunista, o que poderá acontecer numa organização que não tenha na sua “fachada” a inscrição partido comunista.
Me chama muita atenção os escritos de um jurista do passado que, numa tentativa de distinguir o que é do que se diz que é, contou a seguinte estória:
“Podem os meus ouvintes plantar no seu quintal uma macieira e segurar no seu tronco um papel (ou bandeira) que diga: “Esta árvore é uma figueira”. Bastará esse papel para transformar em figueira o que é macieira? Não, naturalmente. E embora conseguissem que seus criados, vizinhos e conhecidos, por uma razão de solidariedade (ou ignorância), confirmassem a inscrição existente na árvore, a planta continuaria sendo o que realmente era e, quando desses frutos, estes destruiriam a fábula, produzindo maçãs, e não figos.“ Ferdinand Lassare (livro Direito Constitucional Descomplicado – Vicente Paulo)
Vivi esta dicotomia dentro do partido, e agora vivo uma dicotomia inversa fora dele. Deparei-me com diversos militantes do partido que se colocam como comunistas mas, por exemplo, não entendem a centralidade da revogabilidade de mandatos ou mesmo não concordam com ela. De fora, deparo-me com uma série de militantes sociais (muitos deles sem partido) que não se identificam como comunistas (talvez por falta de conhecimento, preconceito, insegurança ou tudo isso junto...), mas que entendem e defendem a revogabilidade com questão central (eis novamente uma bandeira política exemplificativa de método e não mais uma mera proposta).
Buscarei por outra organização. Tenho muita força pra militar, estou num grau de consciência onde é praticamente impossível ficar isolado, sem agir coletivamente. Buscarei estar ao lado de uma militância que se fundamente numa práxis efetivamente transformadora e não esteja limitada ao mero “parecer ser”, que não se contente com a retórica.
Saio do PCB com a clareza de que aprendi muito e de que pude dar algumas contribuições pro partido. Tenho certeza que estarei junto com o partidão em muitos momentos, um partido que é feito por alguns valiosos militantes de, repito, honestidade revolucionária ímpar.
E deixo algo explícito: Este gesto de listar uma série de críticas vem com o propósito de deixar reflexões para o partido, pois creio que o PCB tem muito que refletir. Repito: Não detenho verdades, só entendo como fundamental o MÉTODO, se eu estiver errado que me respondam com argumentos.
Neste momento também peço a amigos e camaradas que ficam no partidão uma posição de “desarme”, que me poupem de teorias da conspiração, como “ele esta querendo ir pro partido tal”, ou “era um agente infiltrado no partido”. Este tipo de coisa também cansei de vivenciar nestes últimos anos, e na maioria delas tenho clareza que não passa de devaneio, pois parte do pressuposto que o partido detém algum tipo de caminho da revolução e de que o partido é o único instrumento capaz de dar respostas revolucionárias.
Não estou iludido de que todos compreenderão meus motivos, mas espero respeito a esta decisão, pelo menos daqueles camaradas que conhecem minimamente minha práxis militante.
Meus sinceros agradecimentos aos 43 meses de Partidão.
Saudações comunistas!
Sabemos que na esquerda brasileira não é comum que esse tipo de documento seja publicado e debatido publicamente, mas lamentamos muito que os camaradas de outras cidades se comportem com tal medo do debate. Estamos fazendo o oposto, que é o certo em toda conjuntura política que o possibilite, não somente como forma de formação política e estímulo ao debate, mas por democracia.
Gostaria que a carta de desfiliação do camarada Rafael Pimenta também tivesse tido esse destino, e lamento que sem tal acontecimento até hoje muita gente não saiba nem que esse camarada se desfiliou. A Verdade, camaradas, Pravda, era o nome do jornal de Lênin, e Gramsci também não disse a toa que a verdade sempre, sempre, entenderam, sempre é revolucionária!
Resposta de Alex Lombello Amaral:
No início eu pensei que o arquivo em anexo na carta de desfiliação fosse cópia da própria carta. Depois percebi que não, que se trata na verdade de um texto meu, publicado no Expresso Vermelho, no São João del-Puebo e no Estudos Vermelhos, intitulado “Infantilidades dos comunistas brasileiros no século XXI”. Não sei porque o camarada Sammer Siman, comunista sincero, revolucionário mais militante que eu, que não está planejando um caminho carreirista, mas pelo contrário, está dando esse passo errado por ansiedade de trilhar o caminho revolucionário, anexou esse texto à sua carta. Talvez desconhecendo que sua própria atitude é um exemplo clássico de infantilidade esquerdista, com todo respeito, claro, pois tenho acusado quatro quintos do Partido, inclusive a célula de São João del-Rei, de esquerdismo, e sempre com muito respeito.
A pressa, a ansiedade, sempre são ingredientes fortes para empurrarem bons militantes para caminhos esquerdistas, impedindo a persistência necessária a uma estratégia, que logicamente exige longo ou médio prazo. Mas as doenças infantis, dialeticamente, são saudáveis, pois preparam o sistema imunológico. Quase todo comunista passa por uma fase esquerdista. Ai aprende o que já ouviu dos outros camaradas, mas não acreditou.
O camarada encontrará, em todas as organizações que conhecer, problemas que hoje aponta no PCB, como quem foge da própria sombra, em doses diferentes, e na maioria encontrará problemas muito maiores. Como linha mestra de sua formação, seu histórico e sua visão revolucionários, o camarada aponta, corretamente, a luta por uma nova democracia, ou seja, por um novo Estado, destacadamente onde a correlação de forças nos permite esse avanço, que no caso brasileiro são sobretudo as Universidades. Como sabemos, na prática, isso implica em derrotar, em Universidade por Universidade do país, o fetiche das eleições diretas. Sabemos que sem fazer isso só se é revolucionário na vontade, pois esse é o trabalho revolucionário necessário agora, e não qualquer outro. O camarada descobrirá que fora dos Partidos Comunistas não encontrará partido nenhum que aceite nem pensar em enfrentar o senso comum, e que nenhuma outra corrente política sequer imagina que existem diversas possibilidades de democracia, e não somente essa falsa do capitalismo. Não é preciso ir muito a direita, no campo social democrata mesmo (PT, PDT, PSB, PCdoB etc.) o camarada encontrará uma hegemonia da democracia capitalista, com destaque para o PT, que já em 1985 não quis votar em Tancredo no Colégio Eleitoral porque não aceitou que as eleições não fossem diretas. No próprio campo socialista, o camarada descobrirá que os partidos trotskistas por vezes se juntam ao PT no Congresso da UNE para pedir, que atraso, eleições diretas!?!?
Os únicos teóricos que escreveram qualquer teoria que corresponda à prática que hoje desenvolvemos foram os marxistas, com destaque para o último livro de Marx, publicado pela Estudos Vermelhos com o título A Comuna de Paris, um dos últimos de Lênin, O Estado e a Revolução, e Gramsci, com seu relatório sobre O Movimento Turinês dos Conselhos de Fábrica. Para ser mais exato, a única teoria que corresponde à nossa prática é a comunista, e a única prática que corresponde à teoria comunista é a nossa. É claro, a maioria dos pretensos comunistas do país ainda nem imagina isso, mas devemos ter paciência, porque o Brasil, camarada, só veio a ter tipografias, livros e jornais produzidos aqui, no século XIX, e o Manifesto Comunista mesmo só circulou em grande tiragem por aqui na década de 60 do século XX. Quero dizer que a ignorância, inimiga absoluta do marxismo, reina ainda em nosso país. Por isso, em toda organização em que chegar, se conseguir fazer avançar a compreensão da política realmente revolucionária, assistirá rachas, divergências, corpo mole, porque mesmo os militantes que pretendem ser comunistas são de fato formados pela Rede Globo, pelas igrejas, escolas, ou seja, pelo Estado capitalista, e portanto têm uma visão capitalista de democracia. Isso não é uma característica do PCB, é uma característica do Brasil.
Contudo, sejamos razoáveis, em Minas Gerais a Juventude Comunista, ano passado mesmo, foi a única força que defendeu o poder das entidades de base no Conselho de Entidades de Base da UEE e nas eleições do DCE-UFMG. O camarada reclama que a célula da UFMG retomou velhas práticas, mas se isenta de responsabilidades nessa questão, como se não fosse o assistente dessa célula no Comitê Municipal de BH. O camarada se esquece que a defesa do poder das entidades de base é uma novidade, e que a célula comunista da UFMG, pequena e composta somente por estudantes-trabalhadores, ou seja, sem tempo para nada, nunca deixou de estar intimamente dividida sobre esse assunto. Esse trabalho que você achou irritante na UFMG é o mesmo que encontrará em todos os lugares. Aliás, quando te conheci você me deu o mesmo trabalho. Quero ver agora, em outra organização, se você conseguirá metade disso no mesmo tempo.
Entramos juntos no PCB, e embora você considere que faz muito tempo, e até o contou em meses para chegar a algumas dezenas, somos novatos, porque para a história 4 anos não valem nada. Ao contrário do que você pensa, o PCB nos permite muito grande e rara liberdade de expressão e política. Somos calouros, e desde que entramos publicamos notas e jornais, criamos blogs, acusamos a maioria de nossos camaradas de esquerdismo, e afirmamos sem nem pensarmos em usar palavras educadas, que somente nós estamos de fato contribuindo para a revolução, porque somente nós temos coragem de apresentar uma alternativa à democracia capitalista. Em que outra organização você julga que terá essa liberdade? Se encontrar, conte ao mundo, porque embora você ainda não saiba disso, será uma descoberta !!!
Você também acusa o Partido de não falar com seu povo, e é uma verdade, mas podemos dar lição sobre isso? Em São João del-Rei descobrimos o caminho revolucionário no movimento universitário, somente, mas não demos um passo além disso. E nós conseguimos falar com nosso povo? Tivemos oportunidades para isso. Em 2008, fomos nós que escrevemos todo o programa da Frente de Esquerda, e o povo nos entendeu? Em 2010, tivemos um candidato a deputado federal comunista na cidade, e publicamos o que bem entendemos. Conseguimos nos comunicar com o povo? Você já se esqueceu que esse candidato teve mais votos em BH que em São João? E qual organização socialista brasileira consegue dialogar com o povo? Esse problema é do PCB ou da intelectualidade brasileira?
O camarada minimiza a importância do nome Partido Comunista, como se pouca diferença fizesse uma organização se assumir ou não como tal, mas fato é que durante a história os Partidos Comunistas, na maioria das vezes com esse nome, têm sido os únicos defensores coerentes da liberdade, da paz e da verdade ira democracia. As organização que não têm sequer coragem para assumir esse nome, terão coragem para atacar de frente outros mitos burgueses, como as eleições diretas? Aceitarão que a formação de seus quadros seja feita com os livros de Marx e Lênin? Conheço essas organizações indefinidas, elas começam defendendo que não se estude somente Marx e Lênin, mas na verdade elas NUNCA os estudam. No Partido Comunista, podemos reclamar que os camaradas estudam Lênin mas não o compreendem ou não têm coragem de praticar sua política, mas ao menos debatemos tendo como base o nosso teórico. Eu quero ver você defender nossas posições em outra organização, sem a ajuda de Lênin!
Você acha que o PCB nos limita, mas desconhece que fora do Partido Comunista enfrentará uma limitação muito pior, pois o que será sempre perseguido, sempre visto com desconfiança, sempre sabotado, em qualquer outra organização política não-comunista, é o comunismo, incluindo nossos teóricos, ou seja, a coisa que mais precisamos que não seja limitada. E se você acha que o poder das entidades de base não será reconhecido como comunismo pelos nossos adversários, é mesmo muito inocente.
Finalizando por enquanto, concordo que na verdade você continuará militando ao nosso lado, pois sei que continuará revolucionário e que portanto trilharemos o mesmo caminho. A única diferença é que desde essa sua carta voluntarista até que publique uma autocrítica e um pedido de refiliação não terá voz e voto nos fóruns do Partido Comunista.