Obama e Hillary Clinton, certamente inspirados no “Cara” aqui do Planalto, anunciaram um plano de combate à fome no Mundo, obrigando-nos a escrever essa breve nota explicando por que eles não podem acabar com a fome nem mesmo dentro dos EUA, que têm hoje, segundo seus próprios cálculos, 35 milhões de famintos.Temos uma primeira pista no Brasil, hoje aclamado mundialmente como campeão no combate à fome, onde Lula tornou-se famoso pelo seu Fome Zero. Como se nota passados 7 anos, a fome persiste! O Fome Zero beneficiou cerca de 44 milhões de famintos, e reduziu a desnutrição infantil em 73%, mas não colocou fim à fome, que segundo o IBGE ainda atinge 14 milhões de brasileiros (são famílias que passam fome ao menos uma vez a cada 90 dias). Claro que o Brasil tem recursos para acabar com a fome de vez, pois é bem mais rico que Cuba, onde a fome foi extinta. Porém, nem Lula nem nenhum presidente do Brasil pode acabar com a fome pelo mesmo motivo que nenhum presidente dos EUA poderá acabar com a fome nos EUA.
O capitalismo precisa da fome, precisa de miséria, pois precisa do desemprego, e que o desemprego seja o desemprego, ou seja, miséria e fome. Os países capitalistas com seguro desemprego permanente e suficiente precisam compensar essa situação com os imigrantes sem direitos (ou seja, quando os imigrantes ganham direitos, são necessários os imigrantes ilegais). Isso é uma descoberta de Marx, a necessidade que os capitalistas têm de uma massa de desempregados disputando os empregos com os empregados, de forma a reduzir os salários.
Sem fome, sem miséria, os trabalhadores poderiam arrancar dos patrões salários muito melhores. Um governo que fizer isso estará portanto em guerra contra todos os capitalistas, e só não cairá se tiver um apoio muito forte do povo trabalhador, ou seja, terá iniciado uma revolução ou cometido suicídio político se não físico.
Diversos avanços são possíveis ainda sob o capitalismo, e devemos lutar por eles, que facilitarão a revolução e o pós-revolução, mas o fim da fome não é um deles, pois colocaria o capitalismo em crise, e uma crise conforme nunca se viu. As taxas de lucro, já estreitas, desabariam.
A proposta apresentada por Clinton confessa os reais objetivos do plano ao afirmar que existem no mundo conflitos por comida em 27 países. O objetivo, nota-se, não é acabar com a fome, mas com conflitos que não são do interesse “imperial”, limites nítidos nos recursos financeiros de três e meio bilhões fornecidos pelos EUA, que no entanto imprime essa papelada cada dia menos valiosa.